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Aplicações dos SIG no Sector Florestal

Os SIG podem ter vários níveis de utilização, sendo aplicados a diversos tipos de problemas. Segundo Crain e MacDonald (1984), o desenvolvimento das aplicações dos SIG pode ser representado em três fases de evolução. Cada uma das fases define uma forma genérica de utilização com base na complexidade das operações realizadas.

Desta forma, a primeira fase de evolução é designada por "aplicações de inventário" e consiste na junção e organização dos dados, de forma a poderem ser utilizados em futuras consultas ou noutro tipo de aplicações. Esta é a forma de utilização mais simples e que permite um maior número de aplicações.

A fase de desenvolvimento seguinte consiste nas "aplicações de análise". Este tipo de aplicações já requer um maior cruzamento de informações e exige o uso de métodos estatísticos e análise espacial.

A terceira e última fase é designada por "aplicações de gestão" e representa o aproveitamento das maiores potencialidades dos SIG. Este nível de aplicação requer um maior número de conhecimentos e possui um número de aplicações mais restrito. Esta forma de utilização possibilita um forte apoio à decisão e à resolução de problemas do presente e do futuro.

Tal como acontece em diversos sectores, no sector florestal são possíveis aplicações dos SIG a todos os níveis. Foi principalmente a partir dos anos noventa que os SIG têm vindo a ter um número cada vez maior de utilizações dentro das actividades florestais nacionais.

O nível de aplicação mais simples e talvez o mais comum no sector florestal consiste na criação e actualização de cartografia de consulta. De facto, com a tecnologia computacional actual é possível a elaboração de cartas convencionais de grande qualidade a custos relativamente baixos, para as mais diversas finalidades. Estas potencialidades começaram a ser amplamente exploradas com a necessidade de apresentação de cartas nos estudos e projectos florestais.

Dentro das possíveis aplicações, destaca-se também a utilização dos SIG nos trabalhos de prevenção e combate a incêndios florestais. Com base nas condições climatéricas, nas características do terreno e do coberto vegetal, é possível a criação de cartas de risco de incêndio e o estabelecimento de sistemas de apoio à vigilância e combate de fogos florestais.

A selecção das espécies florestais mais adequadas para as florestações sempre constituiu um dos maiores esforços empreendidos pelos florestais. Na verdade, muitas vezes trata-se de um problema bastante complexo, visto que se deverá ter em conta as diversas condições da área a florestar, tais como precipitação, temperatura, altitude, exposição, declive e tipo de solo, entre muitas outras. Com base nestas características é possível a criação de cartografia de aptidão para a cultura de espécies florestais, assim como a realização de análises variadas.

Os SIG podem também ser aplicados em estudos para a protecção das florestas contra pragas. Com base em registos anuais de ocorrências e nas características do coberto é possível estudar o comportamento de pragas e analisar a susceptibilidade dos povoamentos.

A gestão de grandes áreas de floresta produtiva e o planeamento da respectiva exploração poderão ainda ser realizados através da utilização dos SIG. Com base nas condições e características da área em causa é possível a localização de zonas óptimas para determinados tipos de exploração e a criação de mapas com as zonas a explorar e a manter. Com base na rede de caminhos e condições do terreno é possível seleccionar os tipos de equipamento a utilizar e planear as operações de rechega e de transporte do modo mais eficaz e económico.

Outras possíveis aplicações poderão consistir na utilização dos SIG em estudos de comportamento territorial de animais selvagens, planeamento de recursos hídricos, análises de desflorestação e erosão, entre vários outros trabalhos.

Luís M. Ferreira (1998)

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Bibliografia

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MAGUIRE, D. J. (1991) - An Overview and Definition of GIS. In Geographical Information Systems, Principles and Applications - D. J. Maguire, M. F. Goodchild and D. W. Rhind (edits), Longman Scientific & Technical, U.K.

MARABUSTO, S. e CALADO, N. (1998) - O Uso dum SIG para Elaboração de uma Carta de Aptidão Florestal para a Região Norte de Portugal. In Seminário "Sistemas de Informação Geográfica (SIG) no Sector Agrário" - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, IAAS

McKENDRY, J; EASTMAN, R.; St. MARTIN, K.; e FULK, M. (N/D)- UNITAR Explorations in Geographic Information Systems Technology, Volume 2: Applications in Forestry - Clark University

SÁ, A. C. et al (1998) - Detecção Remota e Sistemas de Informação Geográfica na Protecção Florestal. In Seminário "Sistemas de Informação Geográfica (SIG) no Sector Agrário" - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, IAAS