Livros

Um dos meus passatempos favoritos é a leitura. Gosto particularmente de livros policiais e ficção cientifica, mas os clássicos e os de divulgação cientifica também encontram lugar na minha biblioteca. Quando aos temas, o Egipto sempre me despertou uma grande paixão e sempre achei a ordem dos Templários muito misteriosa.

Neste momento devo ter cerca de 200 livros para ler, e parece-me que a lista tem mais tendência para aumentar do que para diminuir.

Neste momento estou a ler:

Cronologicamente, os últimos livros lidos por mim foram:

2006

García Márques representa neste livro uma sociedade onde as aparências valem mais do que a realidade, mas a própria realidade é vivida numa ilusão. O Coronel espera a sua pensão de reforma à 15 anos e apesar do passar do tempo, a sua rotina de sexta-feira é esperar o barco correio, onde, invariavelmente, nunca chega a carta com a reforma (daqui vem o título do livro). Desde que o filho morreu, há 9 meses, o Coronel teve que vender a máquina de escrever do filho para poder sobreviver. No entanto, apesar das dificuldades (a certa altura a mulher chega mesmo a dizer: “Já várias vezes pus pedras a ferver para que os vizinhos não saibam que passamos muitos dias sem fazer comida.”[pág.62]), o galo que o filho lhes deixou precisa de ser alimentado, pois é nele (e nas lutas de galos) que o Coronel põe toda a esperança de obter algum dinheiro. O problema é que ainda estamos em Outubro, as lutas de galos são só no fim de Janeiro e eles e o galo precisam de comer até lá. Várias vezes a mulher o convence a vender algumas coisas (o relógio, o quadro), mas sempre que vai tentar encontra o possivel comprador (o alfaiate, o compadre, etc) acompanhado e, com vergonha, nunca fala na venda. Numa situação chega mesmo a mentir, dizendo que “Levo o relogio ao alemão para o arrajar.”[pág. 48].

García Marqués também fala da exploração do pobre pelo rico. A determinada altura, D. Sabas, o homem mais rico da aldeira e compadre do Coronel, sugere-lhe “...tire de cima de si essa dor de cabeça, e ... meta novecentos pesos ao bolso.”[pág. 57], dando ideia que o melhor que o Coronel faz é vender o galo, ganhando bastante dinheiro e ainda se livrando de bastantes preocupações. O Coronel não concorda, mas a mulher consegue dar-lhe a volta. No entanto, quando vai vender o galo, o compadre diz-lhe que “Tenho um cliente que talvez lhe dê quatrocentos pesos. Mas temos de esperar até quinta-feira.”[pág. 72], tentando desta forma dar um valor diferente (e substancialmente mais baixo) do dado inicialmente, dando desta forma a ideia de estar a tentar enganar o Coronel, como é mesmo sugerido pelo doutor: “O único animal que se alimenta de carne humana é D. Sabas. Tenho a certeza de que vai voltar a vender o galo por novecentos pesos.”[pág. 74].

No fim, García Marques simboliza o colapso e derrota da esperança e do espirito humano pela sociedade corrupta através de uma palavra que o Coronel nunca disse em todos os seus 75 anos de vida, mas que, por força das circunstâncias, acaba por dizer.

Nick Sagan trás-nos aqui a continuação de Ameaça Virtual, 18 anos depois. Neste momento os jovens têm cerca de 36 anos, e estão divididos. No Egipto está Isaac, com 5 filhos humanos, clones dos cientistas da Gedaechtnis, na Alemanha estão Vasthi e Champanhe, com 9 filhas pós-humanas, com os seus corpos criados para serem resistentes à Ep Negra, o virus que praticamente aniquilou a humanidade. Na Grécia está a Pandora, que trata de fazer a manutenção dos sistemas, e ser a ponte entre os dois grupos. Nos EUA pensa-se que está Halloween, que não concorda com a filosofia subjacente à repopulação do Planeta pela humanidade e por isso isolou-se, não se sabendo nada dele à mais de uma década. Completamente desaparecida está Fantasia.

Com estes personagens desenvolve-se várias e complexas tramas actuais, desde a discussão do género dominante (Vashti só criou filhas porque acha que originalmente existiam sociedades matriarcais, sendo as mulheres mais resistentes), à discussão religiosa, à clonagem de humanos (a única forma possível de ter filhos, uma vez que a reprodução sexual não é possivel) e os seus fins, o relacionamento com os filhos, a inveja, a cobiça e o que isso pode provocar, e mesmo os problemas de integração social que criar um filho completamente isolado pode gerar.

No fim nem tudo acaba bem, com alguns dos filhos a acabarem mortos, outros a serem congelados criogenicamente porque entretanto desenvolvou-se um virus ainda pior que o Ep Negra: o Fim do Mundo, e o resto completamente desnorteado porque sentiram como que se lhes tivessem tirado o tapete debaixo dos pés.

Fica-se à espera do fim da saga. Irão conseguir por de parte as suas divergências e repovoar a Terra?
Um jovem escriba foi assassinado, tudo indica, pela amante. Amerotke vai julgar o caso e pelo meio encontra um rasto de assassínios tendo como alvo alguns dos herois da Egipto na guerra contra os Hicsos, o esquadrão das Panteras do Sul do Regimento de Set.
O contraste explicado por Negroponte entre bits e atomos é brilhante para perceber que o que era verdade no sec. XX, a troca de atomos, no sec. XXI com a troca de bits as coisas tornam-se diferentes. Enquanto há 10 anos comprava-se discos numa loja, entregando notas (átomos) e recebendo um CD (mais átomos), agora vai-se a um site na internet, envia-se o número do cartão de crédito (bits) e recebe-se de volta uma (ou mais) músicas em forma digital (mais bits).
Durante as negociações de paz entre os Egipcios e os Mitânios no tempo de Anúbis, ocorrem dois assassinios e o colar do Anúbis é roubado. Se não se achar o culpado depressa as negociações podem falhar.
Depois da derrota do Mitânios, Hatusu, a rainha-faraó precisa de ser aceite por todos, inclusivé pelos sacerdotes, que não estão muito de acordo. Hatusu impõe-lhes que descubram se existem algum impedimento para não ser rainha-faraó e durante essas reuniões no templo de Hórus começam a ocorrer assassínios.
Depois de voltar de uma campanha no delta, Tutumés II morre subitamente. Hatusu, sua esposa, quer saber o que se passou e chama Ametotke, juíz supremo do faraó, para descobrir a verdade. Entretanto, os Mitânios julgam aproveitar o momento em que o Egipto está mais vulnerável para atacar, mas Hatusu, numa jogada arriscada consegue derrotá-los, e ser proclamada rainha-faraó.

Antes de começar a fazer a lista acima, já li muitos mais livros, dos quais vou tentar ir pondo aqui uma lista, sem qualquer tipo de ordem.