|
A Pesca |
|
|
|
|
|
A pesca no Guadiana foi, desde sempre, uma actividade exclusivamente artesanal, destinada à subsistência das populações ribeirinhas. A origem desta actividade, cujos conhecimentos são transmitidos de pais para filhos, deve remontar ao paleolítico, período de que datam os primeiros vestígios de colonização humana junto do rio.
O primeiro trabalho disponível sobre a pesca no Guadiana data do final do século XIX (Baldaque da Silva, 1891). Segundo este autor, as populações ribeirinhas do Guadiana constituíam, no passado, centros de pesca fluvial (Foz de Odeleite, Guerreiros, Laranjeiras, Alcoutim e Penha de Águia) de onde irradiavam para todo o rio. No final do século XIX a pesca parece ter diminuído de importância devido à diminuição dos recursos piscícolas, provavelmente, como consequência da contaminação das águas provocada pela actividade das minas de São Domingos, em grande desenvolvimento nessa altura. No século XX, a actividade da pesca parece ter normalizado, expandindo-se por diversas localidades ribeirinhas entre Mértola e Vila Real de Santo António.
Nos últimos anos, a importância da pesca no Guadiana diminuiu drasticamente devido, sobretudo, à sua reduzida rentabilidade, o que não tem encorajado o recrutamento de novos pescadores nesta região. A introdução de legislação, a partir de 1987, proibindo a utilização de determinadas artes e métodos de pesca e introduzindo restrições noutras, tornaram a sua utilização ainda menos rentável. Estas condições conduziram ao abandono definitivo de algumas artes tradicionais, como por exemplo, o conto, o letrache, a colher e o caneiro.
Em 1999, segundo dados da Direcção Geral das Pescas e Aquicultura, o número de embarcações licenciadas para a pesca no Baixo Guadiana era de 46, estando envolvidos na pesca cerca de meia centena de pescadores inscritos na capitania de Vila Real de Santo António. Dos antigos pescadores, que usaram artes tradicionais, actualmente abandonadas, e outras pessoas com conhecimentos sobre essas artes de pesca, resta ainda um pequeno número (algumas com idade avançada), espalhados por algumas localidades junto ao Rio (Mértola, Penha de Águia, Alcoutim, Guerreiros do Rio e Castro Marim). |