Modelação Ambiental

 

Índice

1. Introdução

2. Determinismo versus aleatoriedade

3. Definições gerais

4. Geometria fractal

5. Sistemas dinâmicos e caos

6. Alguns métodos para resolução de problemas complexos

Referências

     



1.    Introdução  

Formato da apresentação

A estrutura da apresentação é informal, no sentido em que os formalismos matemáticos subjacentes a cada método serão apresentados de forma minimalista, dando-se mais realce aos princípios de funcionamento, objectivos, e à sua aplicação prática. Os alunos interessados poderão consultar a bibliografia indicada para melhor fundamentação dos métodos.  

A apresentação é feita recorrendo à apresentação de problemas genéricos, indicando-se algumas abordagens usadas na sua resolução. Os alunos deverão perceber que não há soluções únicas para cada problema e que os métodos de complementam e intersectam.  


2. Determinismo versus aleatoriedade

 

Antes de prosseguir convém estabelecer as diferenças fundamentais entre determinismo e aleatoriedade. Determinismo é o conceito filosófico de que todo o acontecimento físico, incluindo o conhecimento humano e a acção, é determinado por um princípio de causalidade através de uma cadeia contínua de acontecimentos. Assim, nunca podem ocorrer acontecimentos aleatórios (no sentido de não previstos). A ideia de que o universo é determinístico fez parte da religião, filosofia, e literatura nas civilizações ocidentais e noutras, normalmente associado ao conceito de “destino”, ou do tão conhecido “fado”. Os primeiros filósofos que pensaram sobre a relatividade das decisões (Protágoras), carácter determinístico de todas as decisões (Sofistas), e a incerteza sobre tudo (Carnéades de Cireno), basearam a sua apreciação de aleatoriedade no senso comum e na incerteza associada às decisões humanas. O último filósofo chegou mesmo a advogar a incerteza como princípio de vida, dando as suas prelecções aos alunos sobre temas escolhidos ao acaso, variando o tema de dia para dia. Na cultura oriental o princípio de determinismo está, até certo ponto, contido na religião Budista, expressa na doutrina da origem dependente, segundo a qual (de uma forma simplista) todos os acontecimentos se encadeiam e relacionam – não sendo portanto aleatórios.  No Hinduísmo, e considerando a escola de pensamento mais conhecida, a Advaita Vedanta, o princípio de determinismo aparece também nos conceito do Eu Divino, eterno e luminoso, central, apesar do caos e dinâmica em torno dele.  

O determinismo está também associado à física Newtoniana, que advoga que o universo se rege por um conjunto limitado de leis (passíveis de virem a ser totalmente conhecidas). No entanto, os desenvolvimentos  na física quântica nos anos 20 do século XX, devidas  principalmente a Erwin Schrödinger e Werner Heisenberg, vieram mostrar que o princípio do determinismo em ciência não era universal, e que à escala do átomo a física Newtoniana não é aplicável. Esta nova abordagem da física é designada de quântica, e segundo ela um electrão é uma onda e não uma partícula. Se se realizar uma experiência para determinar a posição da partícula, então encontra-se algo parecido a uma partícula, mas realizando várias observações não se encontrará a partícula no mesmo local, ainda que a onda seja estacionária e portanto os electrões (onda) não se desloquem (bizarro, não é?). A onda transporta a informação quanto à posição provável do electrão. Nesta teoria o princípio da incerteza é intrínseco à natureza do fenómeno. Coloca-se, então a dúvida de se haverá outras realidades em que observações de carácter aleatório sejam o resultado de uma natureza com algum tipo de organização.  

A incerteza associada a séries temporais está presente em praticamente todas as observações de fenómenos naturais. Vejam-se as figuras abaixo onde são apresentadas séries temporais recolhidas em variáveis aleatórias diferentes, mas onde a componente “aleatória” está sempre presente.

 

Fig. Oscilação do nível médio do mar no Atlântico Norte. Modelo simples linear ajustado aos dados. (SIAM,2005)

 

Fig. Séries temporais de temperatura globais – hemisfério Norte (SIAM, 2005)

 

 

Fig. Séries temporais de temperatura em Portugal (SIAM, 2005)

 

 

 

Fig. Variação temporal da massa e quantidade relativa de espécies pelágicas e bentopelágicas no Atlântico Norte (SIAM, 2005)

 

 

 Fig. Resistividade eléctrica no aquífero do Escarpão (Nunes, 1998)

 

O tratamento desta variabilidade é bem enquadrada no contexto da modelação estocástica, em que se incluem os modelos de cadeias de Markov para séries temporais discretas e contínuas, campos aleatórios de Markov, processos pontuais, e movimento Browniano e difusão. 

 

Ainda no tratamento de séries temporais (a sua extrapolação para outras dimensões, normalmente 2D e 3D, é possível em muitos dos métodos) podem referir-se três abordagens alternativas:

 

i)                  Métodos determinísticos;

ii)                 Modelos estatísticos (ou estocásticos, ou probabilísticos);

iii)                 Heurísticas

 

Nos métodos determinísticos a incerteza é inexistente, ou com variabilidade controlada de tal forma que não deve alterar a qualidade da previsão; nos modelos estatísticos a variabilidade é tratada como uma variação em torno de valores centrais, não relacionada com o valor da variável (princípio de ergocidade e da independência do erro), de causas indeterminadas, e sem relação com o fenómeno em estudo. Desta forma a aleatoriedade não fornece qualquer informação relevante para a compreensão do fenómeno, para além da incerteza associada aos dados analisados. Estes métodos podem levar a perdas importantes da informação contida nas observações, uma vez que procuram retirar apenas as grandes variações, perdendo eventualmente informação de detalhe que está contida nas observações consideradas (nesta abordagem) como erráticas. Numa imagem: seria como se ao ouvir uma música num equipamento de som de má qualidade apenas se percebessem parte dos instrumentos e a melodia principal, quando na realidade o “ruído” de fundo corresponderia aos instrumentos e a partes da partitura que não foram ouvidos (no sentido de percebidos).

 

Quando se considera também a informação contida nos valores fora do comportamento médio, então é possível compreender melhor o fenómeno em estudo, e até prever o seu comportamento, ainda que possa não ser possível obter modelos matemáticos que relacionem as variáveis observáveis. É exemplo disto a análise de sistemas complexos, e/ou caóticos, em que os algoritmos usados para a sua interpretação e previsão não são passíveis de conversão em equações. Vejam-se, por exemplo, os métodos de redes neuronais, que usa informação disponível para gerar soluções, sem que seja necessário, ou possível, obter as equações de transferência (o modelo é do tipo black-box). Quando os fenómenos em análise são caóticos (e portanto não é possível conhecer a condição inicial, ainda que se possam conhecer as equações que descrevem o comportamento do sistema total, e se conheça o resultado final) o comportamento médio observado do sistema não tem uma relevância particular. O comportamento médio de sistemas caóticos pode até ser muito menos importante do que os valores fora da média, uma vez que a estes podem estar associados comportamentos catastróficos (sismos, tufões, etc.), de que importa conhecer as condições particulares que lhes deram origem. Os métodos determinísticos e estatísticos tenderiam a concentrar-se no comportamento médio e a desprezar os comportamentos extremos, com excepção, naturalmente dos modelos para extremos. Mas, estes têm novamente a limitação de concentrarem-se essencialmente nas observações extremas.

 

As figuras apresentadas abaixo tentam mostrar graficamente as ideias apresentadas atrás, sem que pretendam mostrar, neste momento, a eficiência de algoritmos particulares.

 

 

a)

 

b)

 

 

c)

 

Figura. a) realidade não conhecida e apenas disponível parcialmente através de amostragem; b) transformação das observações da realidade usando métodos determinísticos – como a amostragem é sempre incompleta, e os valores erráticos são tomados como desvios devido a variações locais e problemas relacionados com a amostragem (e.g., contaminação da amostra, erros analíticos, etc.) a imagem obtida por transformação pode ser muito distorcida; c) ao incorporar toda a informação contida nas observações o resultado da interpretação pode ser superior.

 

 Convém alertar que os algoritmos heurísticos não são uma panaceia. Quando a informação disponível é escassa, ou o fenómeno pode ser descrito por modelos simples, não há qualquer necessidade de usar métodos mais complexos. Pode mesmo acontecer que os modelos mais simples dêem resultados muito melhores.

 Na sequência introduzem-se algumas definições, apresentando-se depois a geometria fractal por esta se relacionar com a ponte entre determinismo e aleatoriedade.

 


3.   Definições gerais  

  Variável aleatória e número aleatório  

Uma variável aleatória é o resultado numérico da aplicação de um mecanismo não-determinístico ou de uma experiência não-determinística que tem como resultado um resultado aleatório. Por exemplo, uma variável aleatória pode ser usada para descrever o resultado de um jogo com um dado honesto, com resultados possíveis {1,2,3,4,5,6}, ou para descrever os resultados de concentração na amostragem de uma área contaminada. A variável aleatória não assume nenhum valor em particular, não descreve o resultado de uma amostragem em particular, mas antes descreve os possíveis, ainda por determinar resultados.

O tratamento clássico de variáveis aleatórias e funções aleatórias foi já estudado nas disciplinas de probabilidades e estatística e dispensam mais desenvolvimentos. Pode referir-se apenas que o tratamento de dado a estas variáveis é diferente na estatística Bayesiana, estando, no entanto este tema fora do contexto desta apresentação.  

Um número aleatório é um resultado específico de uma variável aleatória.  

 

Um aspecto interessante em relação à geração de números aleatórios é a dificuldade prática de gerar números verdadeiramente aleatórios. Exemplos de métodos incluem a utilização de números irracionais como o valor de pi (quociente entre o perímetros e o diâmetro de uma circunferência), o valor de 2½, log(2), pi2, log(2)2 . O que torna estes números ainda mais interessantes é o facto de poderem ser aproximados com boa precisão por geradores de tipos associados ao ramo de investigação do caos dinâmico (ver abaixo mais sobre isto). 

 

O valor de pi pode ser aproximado pela expressão de Bailey et al. (1997), entre outras:

Mas, em que sentido é útil esta aproximação que permite calcular o valor da constante para níveis de precisão muito superiores ao que é necessário no cálculo, mesmo de engenharia de alta precisão? A resposta é simples: para tornar os códigos de segurança o mais seguros possível. Ou seja é fundamental nos algoritmos de encriptação. Senão veja-se o desenvolvimento, em formato hexadecimal da expressão acima para os dígitos à direita da vírgula a partir de diferentes posições (na tabela abaixo indicado pela "position"). O primeiro número indica o valor hexadecimal dos 14 dígitos a partir (incluindo) do dígito da posição 106 (um milhão de dígitos à direita da vírgula!). Uma vez que é muito difícil de estimar a sequência exacta de dígitos gerada por um dado algoritmo, este método pode ser útil para encriptar, bastando assim que o receptor saiba qual o algoritmo a usar e que lhe seja dada a posição inicial. Existem actualmente diversos métodos para obter o mesmo resultado, muitos dos quais por razões óbvias não são publicados!

 

Fig. Números aleatórios (Retirado de Bailey et al, 1997)

 

Para obter mais informação sobre a geração de números aleatórios consulte-se "The art of scientifi programming, vol. 2 - seminumerical algorithms", Donald, E. Knuth, Adison Weley Longman, Inc, 1998.", ou para uma revisão mais breve a página de David Bailey.

 

  Processos estocásticos  

Na matemática das probabilidades um processo estocástico pode ser considerado como uma função aleatória. Quando o domínio em que a função está definida é unidimensional (e.g., tempo) o processo estocástico é designado uma série temporal; quando o domínio é de dimensão superior o processo estocástico é designado um campo aleatório. São exemplos do primeiro as séries temporais resultantes da medição de precipitação, de concentrações dum determinado poluente num local (e.g., concentrações de SO2 numa estação), de valores de cotação de acções na bolsa, etc.. São ainda exemplos o movimento Browniano (veja um applet aqui) e o Random Walk (veja um applet aqui). As semelhanças entre estes dois processos são mais do que coincidências. O movimento Browniano descreve o movimento de uma partícula flutuando numa superfície de um líquido, recebendo "toques" de outras partículas no líquido. A partícula é vista como sujeita a uma força aleatória que condiciona o seu movimento. No caso do Random Walk considera-se que a "partícula" toma diferentes caminhos, por passos, e que estes passos são dados em direcções aleatórias. O interessante destes processos é que após um percurso suficientemente longo a "partícula" terá percorrido uma trajectória que tem carácter fractal. A definição de fractal será dada mais abaixo.  

 São exemplo de campos aleatórios as figuras estáticas, topografias (paisagens), ou variações de composição de materiais não homogéneos. Veja as figuras abaixo como exemplo.

 

a)

b)

 

Fig. Campo aleatório: 

a) Exemplo de tessitura de Voronoi (uma tessitura é um conjunto de figuras que preenchem o espaço sem sobreposições nem vazios, obtidas por transformação geométrica de uma figura). A tessitura de Voronoi mais conhecida nas ciências naturais é designada por Polígonos de Thiessen.

b) Exemplo de campo aleatório fractal de Mandelbrot 

 

Utilizam-se usualmente dois algoritmos para obter séries e campos estocásticos: a) amostrador de Gibbs; b) algoritmo de Hastings-Metropolis, mas que não são discutidos nesta apresentação.

 

Vejam-se como exemplos de campos aleatórios i) a rede hidrográfica criada com um gerador fractal (figura abaixo), ou ii) os campos de permeabilidade potencial no aquífero do Escarpão, obtidos por inversão automática de valores de resistividade eléctrica (fig).

 

 

Para mais informação sobre aplicações fractais em hidrologia ver "Scale dependence and scale invariance in hydrology, Sposito, G. (Ed.), Cambridge Univ. Press, 1998", e "Fractal river basins, chance and self-organization, Rodríguez-Iturbe, I. & Rinaldo, A., Cambridge Univ. Press, 1997"


 

 

4. Geometria fractal

 

Sentindo que a geometria Euclidiana não respondia cabalmente à sensação de que a natureza não é simplificável até ao limite de assumir formas regulares, e que as formas não enquadráveis na geometria Euclidiana são consideradas sem forma ou amorfas, Benoit Mandelbrot decidiu desenvolver uma nova área específica da geometria para dar resposta a estes problemas (no final dos anos 60). Ao conjunto de formas enquadráveis nessa geometria chamou de fractais. De forma simples um fractal “envolve o acaso e tanto as suas regularidades como irregularidades são estatísticas. As formas (fractais) tendem a ser escaláveis, implicando que o grau de irregularidade e/ou fragmentação é idêntico a todas as escalas” (Mandelbrot, 1967; 1977). Desta definição simples de fractal ressaltam dois aspectos importantes: i) o carácter determinístico da teoria; ii) o efeito de escala. Destes dois aspectos o segundo reflecte algo que foi muito inovador na altura: a escala de trabalho tem importância, mas pode acontecer que saltando de uma escala para outra se detecte exactamente o mesmo comportamento (fractais auto-similares (ou semelhantes) – self-similar; ou fractais auto-afins – self-affine). Também reflecte outro aspecto: a escala (entenda-se aqui como régua ou unidade de medição) com que se trabalha afecta o resultado. Este último resultado parece estranho à partida para alguém moldado pela geometria Euclidiana, na qual, como é sabido, o somatório de fracções de troços, áreas ou volumes complementares tem como resultado o mesmo valor independentemente da dimensão das fracções. Na geometria Euclidiana o comprimento de uma fronteira entre países é sempre a mesma independentemente do tamanho da régua com que se mede. Acontece que isto não é verdade: se se usar uma régua com tamanho diferente o comprimento é diferente. Este foi o resultado apresentado por Mandelbrot como paradigmático do efeito da escala. Veja-se a figura abaixo (op. cit.) onde são mostrados os tamanhos de fronteiras de países (Portugal incluído). É clara a linearidade da relação entre o logaritmo da escala de medição e o logaritmo do comprimento da fronteira.

 

 

 

 

Fig. Dados empíricos de Richardson – comprimentos de fronteiras (Mandelbrot, 1977).

 

 Na figura seguinte o efeito da escala é mostrado para uma parte da fronteira Portuguesa. Quando a régua pequena mede o comprimento do perímetro da fronteira são contabilizados contornos que passam despercebidos com a régua maior. No final o comprimento medido com a régua pequena será maior do que o obtido com a régua maior.

 

 

 

Fig. Efeito da escala de medida

 

 

De uma forma mais formal, pode definir-se um conjunto fractal de acordo com

 

(1)

 

 

 

em que Ni é o número de objectos (troços) com uma dimensão linear ri, C é uma constante de proporcionalidade, e D é a dimensão fractal. Quando D é um inteiro a dimensão fractal é equivalente à dimensão Euclidiana. As dimensões fractais são usualmente não inteiras (fraccionais), de onde o nome fractal.

 

A dimensão fractal pode ser determinada a partir de (1) por

 

(2)

 

 

Na figura seguintes são mostradas algumas regras conducentes a fractais, algumas originando dimensões inteiras, outras dimensões fractais. Em a) a linha é dividida em dois e apenas um dos troços é mantido, repetindo-se este procedimento muitas vezes (ad infinitum…). Neste caso, na primeira iteração, i=1, o valor de N1=1 (são retidos 1 segmento), e a dimensão do segmento é r1=1/2; na segunda iteração, i=2, N2=1 (pela regra), e r2=1/4 (metade do segmento anterior). Substituindo estes valores na expressão (2), vem

 

 

 

 

Esta é a dimensão de um ponto. Repita-se o cálculo para o caso e). A regra aqui é a seguinte: divida-se o segmento em 3 partes iguais e mantenham-se os segmentos extremos, repetindo o procedimento muitas vezes. O valor de N1=2, r1=1/3, N2=4, r2=1/9. A dimensão fractal vem

 

 

 

Isto é a dimensão fractal é um fraccionário entre a dimensão de um ponto (0) e a dimensão de uma recta (1). Esta construção é também designada de conjunto de Cantor, ou pó de Cantor e representa a agregação infinita de pontos agrupados. Este tipo de fractal representa um fenómeno comum nas ciências naturais quando a variável mostra tendência para “clustering” em escalas diferentes. Isto acontece, por exemplo, em depósitos mineiros quando áreas mais mineralizadas contêm dentro outras áreas ainda mais mineralizadas, e por aí adiante até à escala molecular.

 

Repita o cálculo para os restantes exemplos como exercício.

 

 

Fig. Exemplos de fractais (linhas). Retirado de (Turcotte, 1997)

 

 

O mesmo conceito pode ser aplicado a figuras como quadrados, triângulos, cubos, etc. A figura abaixo mostra uma figura conhecida como tapete de Sierpinski, cuja regra de geração é semelhante à do conjunto de Cantor, mas em que cada quadrado é dividido em 9 quadrados iguais, retirando-se o central. Usando a expressão (2) calcule a dimensão fractal desta figura (tenha em conta que em vez de usar o comprimento do segmento passa agora a usar o comprimento do lado) – deve conseguir chegar ao valor de 1,8928, o que indica que a figura tem dimensão superior à da linha, mas inferior à do plano. Em relação a este exemplo repare que as figuras à direita são reproduções da regra a escalas diferentes. Este é o princípio da auto-semelhança.

 

  Fig. Tapete de Sierpinski

A três dimensões aplica-se o mesmo princípio. Veja-se o exemplo do cubo de Sierpinski, também conhecido como esponja de Mengue, apresentado na figura seguinte. A regra para obtenção desta figura é também muito simples: divida-se o cubo em 27 cubos iguais, e retenham-se 20 cubos, para que no final tenha uma cruz aberta no interior. O processo é mais simples de compreender pela sequência apresentada na figura. Qual a dimensão fractal desta figura? Verifique que na segunda iteração são obtidos 729 cubos, e são retidos 400 (deve obter D=2,727). Calcule também a dimensão fractal da figura apresentada em b), sabendo que a regra indica que o cubo é dividido em 8 cubos iguais com r=1/2, dois cubos diagonais são removidos, pelo que ficam 6; na segunda iteração são obtidos 64 cubos e retidos 36 (deve obter D=2,585).

 

 a)

b)

 

Fig. Cubo de Sierpinski ou esponja de Mengue. a) resultado ao fim de algumas iterações; b) processo inicial de geração do cubo de Sierpinski e de uma outra estrutura tridimensional (Turcotte, 1997).

 

Considere-se agora uma figura contínua como o triângulo de Koch, criado pela seguinte regra: considere-se um triângulo equilátero (N0=3) com lados de dimensão unitária, r0=1; na primeira iteração um triângulo com lados de dimensão r1=1/3 são colados no centro de cada um dos lados do triângulo original, resultando em N=12 lados; repete-se o procedimento, colocando triângulos de lado r=1/9 no centro de cada um dos lados da figura anterior, resultando em N=48 lados. Repete-se este procedimento muitas vezes. Veja-se a figura abaixo para exemplo.

 

Fig. Ilha de Koch, também conhecido por floco de neve pela sua semelhança com este (Turcotte, 1997)

 

Qual a dimensão fractal desta figura? Podemos agora usar o comprimento do perímetro e a dimensão da régua de medida. O perímetro é igual a

 

(3)

 

O que substituindo na expressão (1) dá

(4)

 

Substituindo o perímetro na expressão anterior vem

 

 

Se tivéssemos usado a expressão (2) teríamos

 

 

 

Ou seja o mesmo valor, com seria de esperar. Ficamos então como duas alternativas de cálculo, sendo que a expressão (4) pode ser mais fácil de determinar para figuras muito complexas (e.g., para passos de iteração mais avançados) usando software para cálculo de perímetros de figuras.

 

 

Fractais estatísticos

 

Existem diferenças fundamentais entre as figuras apresentadas atrás e os casos reais:

 

i)                    o perímetro das figuras construídas com elementos regulares é determinístico, enquanto nos casos reais o perímetro (ou outra qualquer medida) é estatístico;

ii)                   ii) o perímetro das figuras é identicamente invariante a todas as escalas, enquanto nos casos reais o perímetro é estatisticamente diferente a várias escalas, mas as diferenças não permitem determinar exactamente a escala;

iii)                 enquanto nas figuras construídas o desenvolvimento se pode fazer a todas as escalas (com um máximo na figura elementar original, mas sem limite inferior), nos casos reais as escalas têm limites impostos pelas dimensões físicas (dependendo do caso, podem variar entre a escala de continentes e a de grãos de areia, portanto cerca de 10 ordens de grandeza; ou entre a escala do segundo e a de milhões de anos, no caso de séries temporais, portanto cerca de 17 ordens de grandeza; ou ainda entre taxas metabólicas do complexo respiratório e a de animais de grande porte como o elefante, variando cerca de 27 ordens de grandeza – exemplos destes comportamentos serão apresentados de seguida);

iv)                 nos casos reais existem variações estatísticas na medida de fractalidade.

 

 

Mostram-se de seguida alguns exemplos de fractais estatísticos:

 

i)  Comprimento da costa de um país;

ii) Bacias hidrográficas;

iii) Hidrogeologia / poluição do solo;       

iv)) História de Portugal;

v) Biologia;

vi) Música.

 

 

 

i) Comprimento da costa

 

A invariância de escala foi já apresentada na introdução para a fronteira de diversos países. Mostram-se na figura abaixo os resultados de Mandelbrot (1967) para a costa de Inglaterra. Mandelbrot usou a expressões (3) e (4) para determinar a dimensão fractal, obtendo D=1,25.

 

Fig. Comprimento da costa Inglesa medida com diferentes tamanhos de régua (escalas), r.

 

Muitos outros autores se têm dedicado a avaliar a fractalidade estatística e as dimensões fractais de perímetros e costas, bem como de outras estruturas. Na tabela abaixo mostra-se um exemplo de resultados onde se mostram também os efeitos da escala de medida na dimensão estimada (e um dos resultados esperados do carácter fractal).

Tabela. Comprimento da costa de alguns países europeus de acordo com a base CORINE (fonte: Lamacchia & Bartlett (2003))

País

1:100.000

1:1.000.000

Bélgica

97.669,478

71.841,586

Alemanha

1.863.759,656

1.585.966,249

Dinamarca

4.488.425,404

3.779.641,433

Espanha

6.566.522,153

5.305.636,629

França

7.205.180,882

4.738.704,125

Grécia

5.332.934,330

4.596.365,770

Irlanda

5.147.530,109

3.841.864,583

Itália

7.408.792,354

6.187.972,030

Holanda

861.005,147

761.169,666

Portugal

923.551,536

843.490,142

Reino Unido

15.910.977,428

11.697.812,207

Total

55.806.348,480

43.410.464,420

 

 

ii) Bacias hidrográficas

 

O número de trabalhos deste tema é também vasto. Apresenta-se apenas um exemplo devido a Dodds e Rothman (2001) para a bacia do rio Kansas (figura abaixo). Foi estudada, entre outros aspectos a relação entre o comprimento estimado para o troço principal do rio (l) e a dimensão da malha usada (a). A dimensão fractal estimada foi de D=1,04±0,02. Note-se a indicação do intervalo de confiança (95%). Repare-se também que a dimensão fractal varia com escala – indicando que a invariância de escala dos fractais estatísticos não é igual em todas as escalas, ou que só é observável em algumas escalas.

 

 

Fig. Relação entre a unidade de medida (área da malha), a, e o comprimento do troço principal do rio Kansas, l. Unidades em metros quadrados e metros, respectivamente.

 

iii) Hidrogeologia / poluição do solo

 

O efeito de escala é um fenómeno observado em várias ciências aplicadas quando se torna necessário passar de escalas de laboratório para escalas piloto, ou de campo. Acontece que para algumas variáveis o efeito de escala continua a fazer-se sentir para diferentes escalas de trabalho. Na figura abaixo são apresentados resultados para a dispersividade longitudinal e horizontal transversal, compilados por Gelhar et al. (1992) para diversos aquíferos, e em sobreposição os resultados obtidos por Nunes (1998) para o aquífero do Escarpão.

 

 

Fig. Dispersividades longitudinais versus escala, com classificação de fiabilidade (Gelhar et al., 1992; Nunes, 1998).

 

Fig. Dispersividades transversais horizontais versus escala, com classificação de fiabilidade (Gelhar et al., 1992; Nunes, 1998).

 

iv) História de Portugal

 

Os resultados apresentados nesta secção são referentes ao período entre 237 AC e 1719 DC para três tipos de acontecimentos históricos: i) guerras e batalhas importantes; ii) epidemias importantes (e.g., pestes); iii) reinados. Procuraram-se identificar as relações de causalidade, ou de recorrência temporal, isto é, verificar se haveria alguma periodicidade nos acontecimentos, ou se por detrás de uma aparente aleatoriedade, se esconderiam relações não visíveis. Na figura seguinte são apresentados os dados, na forma do somatório de acontecimentos (parte inferior da figura) e a covariância temporal feita a espaços de tempo crescentes (i.e, a forma como se correlacionam os dados para janelas de tempo diferentes), na forma do covariograma temporal.

 

Fig. Alguns eventos na história de Portugal. Em símbolos são apresentados os variogramas; em linha contínua o somatório das ocorrências.

 

Para verificar a fractalidade voltamos a aplicar os logaritmos tanto na medida usada (o variograma) como na escala (tempo):

Fig. Carácter fractal de alguns eventos na história de Portugal. Em símbolos vazios o log(variograma); em símbolos cheios a lacunaridade.

 

Novamente se verifica a linearidade entre a escala e a medida. Os valores da dimensão fractal variam entre D=1,69 para as dinastias (reinados) e D=1,83 para as epidemias. Isto indica que terão ocorrido eventos na história Portuguesa, que para além da causalidade normal, têm relações internas interessantes: entre dois períodos de grande actividade (bélica ou epidémica) ocorreram outros períodos de menor actividade, e dentro destes outros, e por aí adiante. Estas relações têm importância estratégica por dois motivos evidentes: i) os mercados e os agentes económicos, em posse desta informação, e sendo ela assumida como prolongável no futuro, podem prever melhor a sua actividade; ii) pode permitir precaver os efeitos de fenómenos epidémicos (no nosso tempo ligados normalmente a doenças como a gripe, doenças infantis; pandemias (e.g., febre das aves, febre hemorrágica aguda).

 

v) Biologia

 

Alguns trabalhos das ciências da vida têm demonstrado a existência de invariância estatística de escala em diversos parâmetros: variação da taxa de metabolismo, do ritmo cardíaco, e do comprimento do genoma, com a massa do organismo; a variação do número de árvores numa floresta com o diâmetro do tronco; a variação do número de troncos numa árvore com o diâmetro dos troncos. São apresentados abaixo exemplos retirados de uma colectânea de trabalhos realizada por West & Brown (2004).

  

 

Fig. Variação entre a taxa metabólica de alguns animais e a sua massa.

 

Fig. Variação entre a taxa metabólica de alguns organismos e a sua massa.

 

 

Fig. a) Variação entre o ritmo cardíaco de alguns animais e a sua massa; b) variação entre o comprimento do genoma de alguns organismos e a sua massa.

 

 

Fig. Ritmo cardíaco de um paciente denotando grande variabilidade (de tal modo que os autores do estudo iniciam o capítulo dizendo: “(…) when the mean is meanigless”). Na figura de baixo são indicados valores de dimensão fractal para a série total, com início no tempo zero, e a linha de baixo a média das dimensões fractais determinadas a partir de 10 tempos iniciais diferentes.

 

Esta figura mostra dois aspectos muito importantes: i) a existência de um comportamento fractal; ii) a existência de um comportamento caótico, uma vez que o ponto inicial a partir do qual se faz a determinação afecta a solução final. Este assunto é discutido no próximo capítulo.

 

 

Fig. c) variação entre o número de troncos numa árvore e o diâmetro dos mesmos; d) variação entre o número de árvores numa floresta e o diâmetro do tronco

 

 

vi) Música

 

Também a música pode ser fractal, ou ter características que a tornam parecida a fractais: 

A música barroca, principalmente a de J. S. Bach tem uma base matemática, reflectida em temas musicais que se entrecruzam (contraponto), formando um todo complexo, e onde a geometria subjacente não é evidente para um ouvido menos atento. Clique aqui para ouvir um trecho.

 

Curiosamente a música sintetizada com modelos de tipo fractal tem  semelhanças com a música de Bach. Clique aqui para ouvir um trecho de música feita por computador usando fractais.

 

Também na música contemporânea (alternativa) se encontram estas características. Clique aqui para ouvir um trecho de uma música de Chemical Brothers. E depois ouça estes trechos de música sintetizada com modelos fractais (fractalmusician.com).


 

 

5. Sistemas dinâmicos e caos

 

Uma solução exibe um comportamento caótico estatístico quando o fenómeno que lhe dá origem não é previsível. Numa lâmpada de filamento, um átomo excitado regressa a um estado de menor energia passado um tempo t (usualmente t=10-8 s), emitindo um fotão. Como resultado dos princípios da mecânica quântica, este tempo não pode ser determinado para um átomo em particular; é apenas possível definir um tempo de transição específico, t, que descreve a hipótese de um átomo em particular fazer uma transição de estado num tempo determinado. Como isto é naturalmente válido para todos os átomos excitados, as fases das ondas são não-correlacionadas. Assim, a natureza estatística do processo de transição faz com que o sinal seja incoerente (aleatório). Isto é um caos estatístico.

 

 

Uma solução exibe comportamento caótico determinístico quando: i) as equações que descrevem o fenómeno são determinísticas, com condições de fronteira e/ou condições iniciais bem definidas (as equações são determinísticas e não estatísticas); ii) as soluções com condições iniciais infinitesimalmente próximas divergem exponencialmente à medida que as soluções evoluem. Veja-se o exemplo das equações de Lorenz. O comportamento caótico ocorre apenas em sistemas de equações não-lineares.

 

São exemplos destes sistemas a equação logística de dinâmica de populações e as equações diferenciais de Lorenz para estimar a convecção térmica numa camada de um fluído aquecida por baixo (e.g., a troposfera terrestre, ou o manto terrestre).

 

 

Equação logística (ou modelo de Verhulst)

 

(5)

 

Este é o modelo simples para a dinâmica de populações com x representando a população no tempo t, o primeiro termo do lado direito corresponde aos nascimentos, e o segundo às mortes. O parâmetro k é o tempo característico e xe é a população representativa.

 

Introduzindo as variáveis adimensionais

 

 o modelo toma a forma da expressão (6).

 

 

(6)

 

Ou ainda, na forma discreta obtém-se o mapa logístico:

 

(7)

 

Em que a é o “potencial biótico”, variando usualmente entre 0 e 4. Esta equação quadrática de recorrência tem um comportamento de muito difícil previsão. Na realidade apenas se conhecem soluções exactas para a=-2, a=2, e a=4.

 

As primeiras iterações do mapa logístico (7) vêm

 

 

O andamento para as primeiras trinta iterações é mostrado na figura seguinte para um valor de a=2,0.

 

 

Fig. Mapa logístico: estabilização da população (a=2,0).

 

Para demonstrações interactivas clique aqui ou aqui.

 

Interessante é o comportamento deste modelo para valores de a superiores a 3: a solução deixa de ser única para as mesmas condições iniciais, sendo o comportamento caótico em parte deste domínio. Veja-se uma representação gráfica deste efeito na figura seguinte.

 

Fig. Mapa logístico: efectivos da população em regime caótico (a=3,8).

 

 

Para valores de a entre 1 e 3 a população estabiliza num valor fixo. Para a=3 a população oscila entre valores máximos e mínimos, atingindo um máximo num ano (iteração) e um mínimo no seguinte. Para valores de 3,45 o período duplica: passam a ocorrer máximos apenas de 4 em 4 anos (iterações). Entre a=3,45 e a=3,57 o período aumenta a uma taxa rápida: duplicando para a=3,54, a=3,564, a=3,569. A partir de a=3,57 o comportamento é caótico, ainda que ocorram regiões periódicas. Use a segunda ligação interactiva sugerida acima para verificar este comportamento.

 

 Uma outra forma de olhar para o comportamento do mapa logístico é usando o diagrama de bifurcação. A partir do início da primeira bifurcação passam a ocorrer duplicações dentro das duplicações. Ora este comportamento foi identificado acima como sendo fractal. Olhando para o diagrama da área bifurcada e caótica pode ampliar-se o diagrama de escala para escala mantendo o mesmo desenho. A ampliação necessária para observar esta repetição é de 4,669. O interessante em relação a este valor é que ele é constante para todos os sistemas não lineares que exibam bifurcação, isto é, é universal. Acontece também no sistema de equações não lineares de Lorenz.

 

 

 Fig. Diagrama de bifurcação

 

Modelos mais complexos também demonstraram comportamento caótico para condições especiais: relações predador-presa (Rai & Hupadyhay, 2004); mutualismo, competição e predação (Shin, 1997).

 

   

Equações de Lorenz:

 

\frac{dx}{dt}  = \sigma (y - x)  

\frac{dy}{dt} = x (r - z) - y

\frac{dz}{dt}  = xy - b z

em que σ é o número de Prandtl e r é o número de Reynolds. σ, r, b > 0, usualmente σ = 10, b = 8 / 3 e r é variável. O sistema exibe comportamento caótico para r = 28, mas exibe órbitas periódicas em laço para outros valores de r.

 

Deixa-se para demonstração o carácter caótico destas equações.

  

Aproveite para ver aqui uma demonstração de um sistema caótico de moinho de água, onde o movimento da nora é imprevisível (copie e descomprima para uma directoria).

 

6. Alguns métodos para resolução de problemas complexos

 

 

Clique aqui.


 

Referências

 

Lamacchia, M. R. & Bartlett, D. (2003), Potential of GIS in coastal boundaries detection and pitfalls in representing the coast as a boundary, Fifth International Symposium on GIS and Computer Cartography for Coastal Zone Management, Integrating Information in Coastal Zone Management,16th - 17th -18th October 2003, Genova, Italy.

Mandelbrot, B. B. (1967), How long is the coast of Britain? Statistical self-similarity and fractional dimension, Science, 156, 636-638.

 

Dodds, P. S. & Rothman, D. H. (2001), Geometry of river networks I: Scaling, fluctuations and deviations, Phys. Rev. E., 63(2), Art. No. 016115.

   

Gelhar, L. W., Welty, C. e Rehfeldt, K. R. (1992). A Critical Review of Data on Field-scale Dispersion in Aquifers. Water Resour. Res., 28, 7, 1955-1974.

West, G. B. & Brown, J. H. (2004), Life’s universal scaling laws, Physics Today, 57(9), 36-42.

 

Shin, G. S. (1997), Coupled logistic map for symbiotic relations, Journal of the Korean Physical Society, 30(1), 49-53.  

  

Rai, V. & Upadhyay, R. K. (2004), Chaotic population dynamics and biology of the top-predator, Chaos, Solitons and Fractals, 21,1195–1204.

  

Turcotte, D. L. (1997). Fractals and chaos in geology and geophysics, 2nd Ed., Cambridge University Press, U.K.

 

Nunes, L. (1998). Estimativa do Campo de Permeabilidades Potenciais e dos Tensores de Macrodispersividade em Aquíferos Heterogéneos a Partir de Informação Geofísica, Dissertação para obteção do grau de Mestre em Georrecursos, pelo Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa.

 

Cerny, V. (1985). Thermodynamical approach to the traveling salesman problem: an efficient simulation algorithm. Journal of Optimisation Theory and Applications, 45, 41-51.

Kirkpatrick, S., Gellat, Jr. C. D. & Vecchi, M. P. (1983). Optimization by simulated annealing. Science, 220 (4598), 671-680.

Metropolis, N., Rosenbluth, A. W., Rosenbluth, M. N., Teller, A. H. & Teller, E. (1953). Equation of state calculations by fast computing machines. The Journal of Chemical Physics, 21 (6), 1087-1092.

Rinnooy Kan, A. H. G. &  Timmer, G. T. (1987). Stochastic global optimization methods; Part I: clustering methods. Mathematical Programming, 39 (1), 27-56 .

[1]: Web dictionary: Dictionary.LaborLawTalk.com, and Web Wikipedia.

Ulam, S. (1950), Random processes and transformations, In: Proc. Int. Cong. Mathmatics, Vol. 2, 264-275.

Barone, D. (2003). Sociedades artificiais, Bookman, Artmed Editora. S.A., Porto Alegre, Brasil.

David H. Bailey, Peter B. Borwein & Simon Plouffe, (1997). On the Rapid Computation of Various Polylogarithmic Constants, Mathematics of Computation, 66(218), 903-913.

Outra bibliografia aconselhada:

Costa, E. & Simões, A. (2004). Inteligência artificial, fundamentos e aplicações, FCA Editora. Lisboa.

 

 

 

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