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João M.C. Estêvão

Instituto Superior de Engenharia - UAlg
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Engenharia Sísmica (em construção)

Esta página, em conjunto com as quatro páginas seguintes (1, 2, 3, 4), apresentam conceitos, ilustrados com imagens, de grande importância para o domínio da engenharia sísmica, no contexto dos cursos de Engenharia Civil do Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve (ISE-UAlg).

SISMICIDADE

A sismicidade pode ser definida como a descrição das relações entre as datas, os locais, as dimensões e a periodicidade da ocorrência de eventos sísmicos, numa dada região, e pode ser dividida em sismicidade histórica e sismicidade instrumental, em função das fontes de obtenção dos dados. A análise da sismicidade e a sua compreensão é a base de qualquer estudo sísmico. Os sismos (muitas vezes designados por terramotos) que poderão afectar o Algarve poderão ter epicentros mais distantes, ocorrendo na zona de fronteira entre as placas tectónicas Euroasiática e Africana (sismos interplacas), podendo atingir grandes magnitudes, ou localizados no Algarve, designadamente nas falhas de Aljezur, de Portimão, de São Marcos-Quarteira, de Loulé, do Carcavai e de Santo Estêvão (sismos intraplacas), mas com menores magnitudes.

PERIGOSIDADE SÍSMICA

A Perigosidade sísmica, também designada por casualidade sísmica, é a probabilidade de ocorrer um evento sísmico, numa determinada região, que conduza a um valor de um determinado efeito (a aceleração de pico, por exemplo), ou à sua excedência, no local em estudo e num determinado intervalo de tempo [3] [17]. Muito provavelmente, o Algarve é a região de Portugal continental que apresenta maior valor de perigosidade sísmica.

EFEITOS LOCAIS

São diversos os factores que influenciam as vibrações sísmicas num determinado local, e podem ser agrupados em efeitos associados às características da fonte do sismo, em efeitos associados às características do percurso das ondas sísmicas até ao local, e em efeitos locais (também designados por efeitos de sítio). Estes fenómenos têm uma grande influência na perigosidade sísmica de um determinado local, e, por consequência, no risco sísmico das construções desse local. Os efeitos locais mais vulgares são os efeitos geológicos locais, os efeitos de bacia e os efeitos topográficos. Outros efeitos locais podem ser induzidos pela passagem das ondas sísmicas, como o fenómeno de liquefacção [3] [18] [19].

VULNERABILIDADE SÍSMICA

Nível de desempenho de um determinado sistema (uma estrutura de um edifício, uma infra-estrutura, um grupo social, etc.), face a um determinado nível de acção de um sismo. Fragilidade é um conceito semelhante ao de vulnerabilidade, mas em que o nível de desempenho é expresso em termos probabilísticos [3] [17].

RISCO SÍSMICO

Probabilidade das consequências, sobre a sociedade e/ou a economia, que resultam da ocorrência de um sismo, igualarem ou excederem um valor especificado, num local, em vários locais ou numa determinada área, para um dado período de tempo. Em termos matemáticos, resulta da convolução da perigosidade sísmica pela vulnerabilidade sísmica [3] [17]. É vulgar a disseminação da ideia de que o Algarve é a região que apresenta o maior valor de risco sísmico para as construções. De facto, por apresentar a maior perigosidade sísmica de Portugal, para igual vulnerabilidade do património edificado teremos maior risco. Se forem adoptadas medidas adequadas, que conduzam à redução da vulnerabilidade dessas construções, teremos valores de risco sísmico tão baixos quanto os de outras zonas do país, ou até menores.

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Última alteração: 2011-03-23

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