English homepage

João M.C. Estêvão

Instituto Superior de Engenharia - UAlg
Campus da Penha - 8005-139 Faro - Portugal
Tel: 351 289 800154 Gab. 0.52 Ext: 6292
Fax: 351 289 800183
E-Mail: jestevao@ualg.pt

UAlg

ISE


Perigosidade sísmica (casualidade sísmica)

A análise da perigosidade sísmica pode ser realizada com recurso a modelos deterministas ou probabilistas. Estes últimos são hoje os mais utilizados, e tiveram o seu início em 1968 com o modelo de Cornell. Uma versão deste modelo de fonte pontual (que pressupõe que toda a energia do sismo é libertada num único ponto) foi implementada por McGuire no programa EQRISK, em 1976. Der Kiureghian e Ang, em 1977, apresentaram uma variante que possibilitava a consideração de fontes extensas (linhas ou áreas). Bender, em 1984, realizou uma adaptação a este último modelo, que implementou no programa SEISRISK, que tem hoje várias versões. Todos estes modelos foram implementados no programa SRAPOR, e aplicados a Portugal, designadamente ao Algarve [3] [4] [5] [6].

A primeira aplicação de modelos probabilistas a Portugal foi realizada por C.S. Oliveira nos anos setenta do século XX [7], recorrendo a uma variante do modelo de Cornell, tendo sido um trabalho pioneiro na Europa. Este estudo, para um período de retorno de, aproximadamente, 1000 anos, foi o suporte à determinação da aceleração de pico que consta no Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes (RSAEEP) [8]. A acção sísmica é agravada por um factor parcial de segurança (de 1.5), o que tem em conta as incertezas associadas às análises da perigosidade sísmica realizadas então.

O rigor dos resultados das análises de perigosidade sísmica são função do tipo de modelo de análise adoptado, das incertezas relativas às leis de atenuação utilizadas, da profundidade média considerada para o foco, da delimitação das zonas geradoras de eventos sísmicos e da validade do catálogo sísmico utilizado (considerado como sendo representativo da sismicidade da região) [4] [5] [6]. Com o passar dos anos, a utilização de novos modelos e leis de atenuação obtidas a partir de um maior número de registos sísmicos, têm originado mudanças nos resultados das análises da perigosidade sísmica realizadas para Portugal. Mas mesmo assim, ainda possuímos um catálogo sísmico de registos instrumentais, obtidos nas últimas décadas, que, por comparação com a sismicidade histórica conhecida, provavelmente é pouco representativa da sismicidade de Portugal. Para colmatar estas incertezas, em Portugal têm sido desenvolvidos modelos estocásticos de simulação de sismos, para que seja possível reproduzir artificialmente os sismos de maiores magnitudes para os quais não existem registos instrumentais, com a consideração dos efeitos geológicos locais [9] [10].

A evolução do conhecimento verificada nas últimas décadas, designadamente em resultado da ocorrência de muitos sismos um pouco por toda a Terra, e a necessidade da adaptação das acções sísmicas nacionais às exigências do Eurocódigo 8 (NP EN 1998-1:2010) [11], tem levado a que todos os países aderentes a esta regulamentação comum, elaborassem uma revisão das análises da perigosidade sísmica [12]. Esta necessidade levou à proposta de um novo zonamento do território nacional, assim como das características da acção sísmica, tendo por base análises da perigosidade sísmica com um período de retorno de 475 anos [11] [13] [14] [15]. É importante salientar o facto da acção sísmica não ser majorada por nenhum factor parcial de segurança, no contexto do EC8.

Zonamento sísmico de Portugal continental proposto no Anexo Nacional ao EC8 [16]

Última alteração: 2011-03-23

Engenharia sísmica topo da página Página seguinte


Página anterior Página seguinte