Universidade do Algarve

Licenciatura em Oceanografia

Tectónica de Placas

Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente

Introdução à Oceanografia

J. Alveirinho Dias

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TECTÓNICA DE PLACAS
5. - Pontos Quentes (Hotspots)
Out 01

A grande maioria dos sismos e das erupções vulcânicas ocorres nas fronteiras de placas. No entanto, há excepções, como é o caso do vulcanismo e sismicidade associada a pontos quentes (hotspots). O caso mais bem estudado de ponto quente é o das ilhas de Hawaii, totalmente de origem vulcânica, e que se localizam a mais de 3 200km da fronteira de placas mais próxima.

A teoria dos pontos quentes (hotspots) foi divulgada em 1963 pelo geofísico canadiano J. Tuzo Wilson. No entanto, quando foi apresentada, esta teoria foi considerada tão radical que o artigo foi recusado pelas revistas internacionais mais credenciadas, até conseguir ser publicada em 1963 no Canadian Journal of Physics. Apesar deste facto, a teoria dos pontos quentes tornou-se um dos aspectos mais importantes da tectónica de placas.

De acordo com a teoria de Wilson, os alinhamentos de ilhas vulcânicas não associadas a fronteiras de placas são explicados pela existência de zonas relativamente pequenas, persistentes e excepcionalmente quentes que existem sob a litosfera, e que por isso foram designadas por pontos quentes. São estes pontos quentes a fonte de calor e de vulcanismo continuado.

 
Como exemplificação, Wilson aponta o caso específico do alinhamento das ilhas do Hawaii / montanhas submarinas do Imperador:
  • a placa pacífica, desloca-se sobre um ponto quente estacionário, no manto, localizado sob a actual posição da ilha do Hawaii;
  • é este ponto quente que proporciona uma fonte persistente de magma, através da fusão parcial da parte da placa pacífica sobrejacente;
  • este magma, menos denso do que as rochas consolidades adjacentes, ascende através da crusta constituindo vulcões activos, os quais formam montanhas submarinas que, posteriormente, devido a erupções sucessivas, emergem como ilhas;
  • num estádio posterior, devido à movimentação da placa pacífica, a ilha é transportada para fora da zona do ponto quente, deixa de haver fornecimento de magma e o vulcanismo cessa;
  • à medida que um vulcão se extingue, começa a desenvolver-se outro sobre o ponto quente;
  • este processo, funcionando continuadamente ao longo de milhões de anos, deu origem ao longo rosário de montanhas submarinas e ilhas vulcânicas do Hawaii e montanhas do Imperador.
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Arquipélago do Hawaii, que constitui a parte mais meridional do longo rosário de elevações criado pelo ponto quente do Hawaii. Kauai, visível no canto inferior da fotografia, é a ilha mais antiga do arquipélago. Hawaii, próximo do canto superior esquerdo da fotografia, é a ilha mais jovem, onde o vulcanismo é bastante activo. (Fotografia tirada a bordo do Space Shuttle, NASA) 

 
De acordo com a teoria dos pontos quentes formulada por Wilson, as ilhas deveriam ser progressivamente mais antigas, mais dissecadas e mais erodidas à medida que a distância ao ponto quente aumenta. É efectivamente o que se verifica nas ilhas do Hawaii: na ilha de Kauai, a mais afastada do vulcanismo actual, as rochas mais antigas têm idades de cerca de 5,5 milhões de anos e estão profundamente erodidas; na ilha de Hawaii (também conhecida por Big Island), presumivelmente localizada sobre o ponto quente, as rochas expostas mais antigas têm apenas 0,7 milhões de anos e novas rochas estão continuamente a ser adicionadas à ilha através de erupções vulcânicas.
 
Embora o Hawaii seja, provavelmente, o ponto quente mais conhecido, existem muitos outros, quer nas partes oceânicas, quer nas continentais. Na realidade, estão inventariados mais de uma centena de pontos quentes activos nos últimos 10 milhões de anos.