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HISTÓRIA DA OCEANOGRAFIA |
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| 2.1. Os Primórdios da
Oceanografia |
mod. Mai00 |
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O desenvolvimento dos primórdios
da oceanografia, na antiguidade clássica, esteve intrinsecamente
relacionado com o comércio e com actividades bélicas.
O conhecimento da distribuição das terras emersas,
das correntes e dos baixios, entre outros, constituíam
vantagens sobre o inimigo comercial e/ou beligerante. Como
tal, esse conhecimento era, muitas vezes, considerado como
confidencial.
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Na antiguidade clássica o conhecimento
bidimensional do oceano, isto é, da distribuição
dos continentes e dos oceanos pela superfície da Terra
era, já, bastante desenvolvido. Tal permitia que, cerca
de 2 000aC, os fenícios efectuassem navegações
em todo o Mediterrâneo, no Mar Vermelho, no oceano Índico
e nas costas atlânticas europeias.
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- Cerca de 500aC Parménides defendia que a Terra
era esférica.
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Cerca de 450aC Heródoto produziu
uma das primeiras representações cartográficas
de que há notícia, na qual se pode constatar
que os conhecimentos geográficos dos gregos, na altura,
era já bastante completo.
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Cerca de 400aC a relação
entre os estados da maré e as fases da Lua estava já
estabelecida.
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Cerca de 250aC Eratóstenes
determinou o perímetro da Terra com precisão
notável e desenhou uma carta do mundo então
conhecido, na qual é possível reconhecer, entre
vários outros territórios longínquos
relativamente à Grécia, as Ilhas Britânicas,
Ceilão e, possivelmente, o Japão.
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Mapa de Eratóstenes
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Também na mesma altura, Ptolomeu,
opondo-se a Eratóstenes, defendia que na Terra predominavam
as terras emersas, sendo o Atlântico e o Índico
mares interiores, tal como o Mediterrâneo. Ptolomeu
afirmava, ainda, que as extremidades ocidental e oriental
das terras emersas estavam próximas e, consequentemente,
que navegando para Oeste se poderiam atingir a extremidade
oriental. Foram estas ideias que, bastante mais tarde, inspiraram
Colombo.
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Posidonius, nascido cerca de 135aC, relata
ter-se efectuado uma sondagem próxima da Sardenha,
tendo-se encontrado fundo a 1 828 metros. A ser verdade, pois
existem poucas informações sobre os métodos
utilizados, este feito reveste-se de grande importância
dadas as dificuldades de efectuar sondagens profundas, que
só começaram a ser praticadas com alguma frequência
no século XVII.
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| Na antiguidade clássica desenvolveram-se duas escolas antagónicas:
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uma, representada, por Eratóstenes
e Estrabão, defendia que as massas continentais constituiam
uma ilha rodeada pelo oceano;
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outra, encabeçada por Ptolomeu,
postulava que a dominância, na Terra, era a dos continentes,
constituindo o Atlântico e o Índico mares interiores,
como o Mediterrâneo.
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| Após a queda do Império Romano entrou-se num
período negro da história europeia: a Idade Média.
As relações comerciais decresceram até atingirem
um mínimo. Muito do conhecimento existente na Antiguidade
Clássica perdeu-se. |
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No entanto, os Vikings, beneficiando
das condições climáticas amenas da altura,
efecturam muitas navegações e, antes do ano 1000dC,
estabeleceram colónias em vários locais na periferia
atlântica, designadamente na Islândia e na Groenlândia.
Cerca de 982dC, Eric, o Vermelho, chegou à ilha
de Baffin. Mais tarde, os seu filho Leif Ericsson atingiu
a Terra Nova. Provavelmente, os Vikings chegaram mesmo a estabelecer
colónias a América do Norte.
Todavia, por volta do ano 1200, verificou-se
deterioração climática que tornou difícil
a sobrevivência das colónias, as quais tiveram de
ser abandonadas e/ou pereceram à fome. |
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Enquanto a Europa estava sujeita às
discussões teológicas que dominaram a Idade Média,
também os Árabes efecturam grandes navegações,
designadamente no oceano Índico, tendo mesmo chegado à
China. |
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Os Chineses, que utilizavam já
a agulha magnética, efecturam-se, também, nesta
altura, muitas navegações por todo o extremo oriente.
O período aureo das navegações
chinesas ocorreu, no entanto já no século XV. O
almirante Zheng He preparou a maior armada até então
aparelhada, constituída por 317 navios e 37 000 homens,
tendo efectuado, entre 1405 e 1433, sete missões em que
explorou a região da Indonésia e o oceano Índico,
tendo mesmo contornado a extremidade meridional da África,
penetrando no Atlântico. O maior navio da armada, que tinha
134 metros de comprimento e nove mastros, estava carregado de
tesouros trazidos da China. O objectivo era oferecê-los
aos povos visitados como forma de demonstração de
que a nação chinesa era a única verdadeiramente
civilizada e de que a jovem dinastia Ming era poderosa...
Em 1433 surgiram problemas de índole política
e estas explorações oceânicas foram abandonadas
por serem consideradas muito dispendiosas. |
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