Geologia Ambiental

   Elementos de apoio preparados por J. Alveirinho Dias

Mar 00 mod.Fev. 06    
Casos de Estudo

Consequências da Actuação do Furacão Mitch (América Central - 1998)
           
Nos últimos dias de Outubro de 1998 o furacão Mitch assolou o Sudoeste das Caraíbas, provocando enormes danos nas Honduras, na Nicarágua e noutros países da América Central.
           
Ventos muito fortes (que chegaram a ultrapassar 200km/h), associados a chuvas intensas e contínuas (que provocaram grandes inundações e correntes de lama) destruíram e, com frequência, enterraram casas, hospitais, armazéns, fábricas, pontes e estradas. Foi um dos furacões mais destruidor de que há notícia na América, apenas ultrapassado pelo "Grande Furacão" que, em 1780, assolou as Antilhas.
 
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Imagens satelitárias do furacão Mitch.
         

A pressão atmosférica mínima na parte central do furacão foi de 905mb, e a velocidade máxima estimada do vento foi superior a 250km/h sobre as Antilhas Ocidentais.

História Sinóptica

As origens do Mitch radicaram numa onda tropical que, entre 8 e 19 de Outubro de 1998 atravessou a parte sul da África Ocidental, geralmente a sul de 15ºN. Nos sete dias seguintes esta onda progrediu através do Atlântico tropical, atingindo o Mar das Caraíbas dia 18 de Outubro, produzindo chuvas fortes e trovoadas. Na manhã de 22 de Outubro, quando se localizava a cerca de 650km a sul da Jamaica, a pressão central era já inferior a 1000mb, tendo sido classificado como "depressão tropical". A depressão foi-se movimentando lentamente para ocidente à medida que se ia intensificando, tendo-se transformado numa "tempestade tropical" no final da tarde desse dia, quando se localizava a cerca de 400km a ESE da ilha de Sto. André.

     

Ás 6 da manhã do dia 24, quando se situava a cerca de 470km a SSW da Jamaica, o Mitch evoluiu para "furacão". Mais tarde, nesse dia, à medida que inflectia para Oeste, iniciou um período de rápida intensificação. Em 24 horas a pressão atmosférica central desceu 52mb, atingindo o valor de 924mb. No dia 26 a pressão central mínima atingiu o valor de 905mb, provocando ventos cuja velocidade máxima estimada foi superior a 250km/h. Atingiu, assim, a categoria 5 da escala de furacões de Saffir/Simpson.

Após passar sobre a ilha de Swan, a 27 de Outubro, o Mitch começou gradualmente a enfraquecer à medida que se deslocava para ocidente. Ao passar próximo da ilha de Guanaja tinha já descido para a categoria 4. Ao atingir as Honduras, e devido à interacção com esta massa continental, continuou lentamente a enfraquecer, tendo a pressão subido cerca de 60mb entre o meio dia de 27 e a manhã de dia 28.

 
       
Trajectória do furacão Mitch entre 22 de Outubro e 5 de Novembro de 1998 (www.nhc.noaa.gov/1998mitch).

Ainda sobre as Honduras, enquanto se deslocava muito lentamente (a resultante do movimento foi inferior a 8km durante uma semana), o Mitch enfraqueceu ainda mais, atingindo o estado de tempestade tropical às 6 da manhã de 30 de Outubro, passando a depressão tropical às 6 horas da tarde de 31 de Outubro. A lentidão da movimentação resultou numa precipitação extremamente intensa, estimada em 900mm nas Honduras e na Nicarágua. Esta precipitação excepcional provocou cheias repentinas e movimentos de massa que causaram milhares de vítimas.

Refira-se, para aquilatar da intensa precipitação que então ocorreu nas Honduras, que no dia 26 de Outubro se registaram 260mm em Balfate, no dia 27 284mm em La Ceba, e no dia 31 de Outubro 457mm em Choluteca.

           
Historial do Furacão Mitch
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22 de Outubro  
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Ao fim do dia a depressão tropical foi classificada como tempestade tropical Mitch (ventos superiores a 63km/h) e começou a deslocar-se para Norte
24 de Outubro  
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O Mitch passou à categoria de furacão (ventos superiores a 120km/h)
25 de Outubro  
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O furacão Mitch inflecte para Oeste
26 de Outubro  
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Os ventos próximo do centro do furacão atingem 290km/h, atingindo a categoria 5 (máxima) na escala de furacões
27 de Outubro  
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O Mitch começa a enfraquecer, à medida que inflecte para Sul, em direcção à costa das Honduras; desce para a categoria 4 na escala de furacões
28 a 30 de Outubro  
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O Mitch desloca-se muito lentamente sobre as Honduras
30 de Outubro  
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No início do dia o Mitch passa ao estado de tempestade tropical
31 de Outubro  
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À tarde o Mitch passa à categoria de depressão tropical, continuando a produzir firte precipitação
1 de Novembro  
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Sobre a Guatemala o Mitch dissipa-se como depressão tropical
3 de Novembro  
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Movendo-se para Norte, o que resta do Mitch atinge novamente o estado de tempestade tropical no sul do Golfo do México
5 de Novembro  
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O Mitch, jáo novamente no estado de depressão tropical, provoca estragos na Florida
6 de Novembro  
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O Mitch é declarado como tempestade "extra-tropical" e desloca-se para NE através do Atlântico
   
   
O derivado do Mitch prosseguiu a trajectória para NE, atravessando o Atlântico, acabando por atingir as Ilhas Britânicas como grande temporal
 
Consequências ..  
     
Estima-se que pelo menos 11 000 pessoas tenham perdido a vida em consequência do furacão Mitch e que cerca de 20% da população da região (isto é, mais de 2 milhões de pessoas) tenha perdido os seus haveres.
     

Estimativa credíveis apontam, para as Honduras, cerca de 7000 vítimas mortais. A chuva intensa e consequentes cheias, o vento e os movimentos de massa destruíram cerca de 50% da agricultura deste país, provocando ainda a derrocada de 94 pontes, e a danificação ou destruição de 70 mil casas. Cerca de 80% da população das Honduras ficou sem casa.

Foi uma das maiores catástrofes registadas este século na América Central. Na ilha turística de Guanaja (Honduras), por exemplo, o furacão provocou chuvas fortes durante 39 horas consecutivas, tendo-se verificado danos em praticamente todas as infraestruturas, com destruição total de muitas.

Estima-se que 20% da barreira de coral foi danificada, especialmente nas zonas menos profundas.

No continente, a zona mais atingida das Honduras foi a de Tegucigalpa e a área de San Pedro de Sula. Em Tegucigalpa, o rio Choluteca transbordou, constituindo-se um lago que inundou o centro da cidade, tendo-se aí perdido muitas vidas.

Muitas das pontes e estradas de Tegucigalpa foram destruídas pela cheia, tendo a região ficado isolada do resto do mundo, o que dificultou muito a passagem das equipas de socorro.

 
   
 
 
Aspecto das inundações em San Pedro de Sula
 
   
Inundações em Tegucigalpa Aeroporto internacional de San Pedro de Sula

Em San Pedro de Sula as vastas inundações destruíram a maior parte da agricultura, base económica da região. O aeroporto internacional ficou totalmente inundado.

Embora com menor intensididade do que nas Honduras, os danos foram, também, muito grandes na Nicarágua. Neste país, uma grande torrente de lama inundou 10 aldeias localizadas na base do vulcão Las Casitas.

Também na Guatemala e em El Salvador o Mitch provocou grandes danos, designadamente ao induzir cheias repentinas que destruíram milhares de casas, pontes e estradas.

 

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Mortes associadas ao Furacão Mitch
segundo a U.S. Agency for International Development
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Região (País)
Mortes *
   
Honduras  
5677
Nicarágua  
2863
Guatemala  
258
El Salvador  
239
México  
9
Costa Rica  
7
Estados Unidos da América  
2
No mar - Tripulação do navio "Fantome"  
31
Total
 
9086
     
Há que adicionar 9191 pessoas dadas como desaparecidas.
Provavelmente, o número exacto de mortes nunca será conhecido.