| Geologia
Ambiental |
Elementos de apoio
preparados por J.
Alveirinho Dias |
| Abr 00, mod. 06 |
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SISMOS
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Sismicidade
de Portugal |
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A
sismicidade, em Portugal, não é,
normalmente, nem muito intensa, nem muito frequente.
No entanto, o território tem sido atingido
por diversos sismos com elevada magnitude e
intensidade, tendo sido detectados eventos desde
há mais de dois milénios. |
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O
sismo mais antigo de que há notícia
é conhecido pela descrição
efectuada por Frei Bernardo de Brito (1609)
na Monarquia Lusitana, e teria ocorrido
em 63 a.C., afectando as costas actuais portuguesa
e a da Galiza. Teria sido acompanhado por tsunami
de grande altura, em consequência do que
as populações fugiram do litoral
para o interior. A localização
do epicentro deste sismo (questionável,
segundo alguns autores) é incerta.
Em
382 d.C. há notícia de outro grande
sismo, com epicentro provável a SW do
cabo de São Vicente, havendo relatos
da ocorrência de um grande tsunami e desaparecimento
de ilhas que existiriam ao largo do cabo referido.
Outro
sismo histórico importante foi o que
ocorreu em 24 de Agosto de 1356, que foi sentido
em toda a Península Ibérica, tendo
atingido em Portugal intensidade semelhante
ao de 1755. |
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| A
magnitude e a intensidade dos sismos (tanto
históricos, como instrumentais) que têm
afectado território nacional têm
elevada relevância, sendo de toda a utilidade
as sistematizações que têm
sido tentadas.
Sismicidade
Inter-Placas
Devido
à sua localização junto
à fronteira divergente de placas e ao
ponto triplo, a região dos Açores
é caracterizada por sismicidade assinalável.
O
último sismo catastrófico que
ocorreu nos Açores foi o de 1 de Janeiro
de 1980 (M = 7.2). O mecanismo focal indica
um movimento de desligamento esquerdo numa falha
com direcção N25ºW, subvertical.
A área de ruptura tem 40 km de comprimento
numa profundidade de 14 km (que é a espessura
da crosta sismogénica estabelecida por
sismologia experimental) A área epicentral
situa-se no oceano; no entanto foi possível
observar rotura à superfície na
zona emersa, no extremo SE da ilha de S. Jorge.
A
maioria dos autores, fundamentados na distribuição
dos danos, localiza a área epicentral
de alguns dos sismos históricos mais
importantes que afectaram o território
de Portugal continental, no mar a sudoeste do
cabo de São Vicente, na região
do Banco do Gorringe. É o que se passa,
entre outros, com os abalos ocorridos em 60-63aC,
1033, 1356 e 1755.
O
banco do Gorringe é um fragmento de crosta
oceânica e de manto infra-oceânico
exumado antes do Cretácico Inferior.
Foi sujeito a levantamento muito importante
(atestado pelo seu topo localizado a -25 m de
profundidade, emergindo de planícies
abissais a mais de 5 000 m de profundidade)
durante os períodos compressivos da Falha
Açores - Gibraltar, localizada a sul
do Banco de Gorringe. Este levantamento é
consequência directa dos deslocamentos
verticais induzidos pelos sismos de alta magnitude
localizados na face sul, o que confirma o mecanismo
de subducção da placa africana
pela placa euro-asiática.
Nesta
região, a sismicidade instrumental, embora
com a profundidade focal mal estabelecida, parece
ocorrer preferencialmente nos 30km superficiais
da litosfera, atingindo profundidade máxima
de 50 a 70km.
O
último grande que provocou danos no território
continental português foi o de 28 de Fevereiro
de 1969, que teve epicentro na zona do Goringe
(mais propriamente na planície abissal
da Ferradura) e magnitude estimada (de acordo
com os diferentes autores) entre 6,5 e 7,5.
O
epicentro do sismo de 1755 (o mais destruidor
que afectou território nacional, e considerado
com um dos mais energéticos a nível
mundial, com magnitude estimada em 8,75) tem
sido localizado, tradicionalmente, no Banco
do Gorringe. Todavia, estudos recentes, baseados
designadamente na análise do tsunami
gerado pelo sismo, apontam para uma hipótese
de rotura múltipla numa falha na região
do Goringe, e noutra orientada em direcção
a Lisboa (falha fo Marquês de Pombal).
Este sismo originou o maior tsunami que atingiu
a costa portuguesa e um dos maiores registados
a nível mundial. |
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Data |
Magnitude |
tsunami |
63
a.C. |
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Grande |
382 |
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Grande |
1356 |
8,5 |
|
1755 |
8,7
a 9,0 |
Grande |
1761 |
8,0 |
Pequeno |
1969 |
6,5
a 7,3 |
Pequeno |
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| Alguns
sismos interplacas com epicentro provável
localizado na zona do Gorringe.
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Carta
de isosistas para o sismo de 1 Nov 1755. Adapt.
Moreira (1991) |
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Mecanismo
focal do sismo de 28 FEV 1969 |
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Distribuição
de epicentros de sismos históricos e instrumentais,
de 33aC a 1991. Adaptado de L. Matias, in J.
Cabral (1993). |
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Sismicidade
Intraplacas |
| : |
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Além
da sismicidade associada à deformação
litosférica na fronteira de placas Açores-Gibraltar,
existe também actividade sísmica
significativa no interior do território
português e junto ao litoral, caracterizada
pela ocorrência de alguns sismos históricos
com magnitude estimada em cerca de 7.
Eventos
quer históricos (como, por exemplo, os
sismos de Benavente, em 1909, de Loulé,
em 1856, e o de Setúbal, em 1858), quer
instrumentais, revelam que a sismicidade intra-placas
tem, também, grande relevância.
A
simples observação de um mapa
de epicentros da Península Ibérica
permite identificar de imediato uma banda de
concentração de actividade sísmica
ao longo da fachada atlântica da Península,
mais intensa para sul da Galiza, sugerindo algum
processo de interacção entre as
litosferas oceânica e continental ao longo
da margem atlântica oeste-ibérica
que seja responsável pela actividade
tectónica e sísmica regional.
Admitindo
que a margem oeste-ibérica é uma
margem passiva, a referida actividade sísmica
será gerada em falhas activas no interior
da placa litosférica eurasiática,
consistindo, consequentemente, em sismicidade
intraplaca.
No
entanto, grande parte desta sismicidade pode
ser explicada se se aceitar a hipótese
da existência de uma zona de subducção
em iniciação ao longo da margem
continental ocidental.
Os
eventos mais fortes de que há conhecimento
correspondem a sismos históricos ocorridos
em diversas áreas do território,
nomeadamente na região do vale inferior
do Tejo (sismos em 1531 e 1909), na plataforma
continental a sul de Setúbal (sismo em
11 NOV 1858; M=7,1), e na plataforma continental
do Algarve, ao largo de Portimão (sismo
em 6 MAR 1719) e de Tavira (sismo em 27 DEZ
1722). Estima-se que todos estes eventos tiveram
magnitude próxima de 7.
Além
da sismicidade referida, a distribuição
de epicentros mostra uma dispersão considerável,
não sendo fácil correlacioná-los
com as falhas activas conhecidas. O carácter
difuso da sismicidade poderá dever-se
à sua situação num ambiente
tectónico intraplaca.
O
mapa de distribuição de epicentros
revela concentração na faixa litoral
a norte de Sines até às proximidades
da Nazaré. Também se distingue
concentração de sismicidade na
região litoral do Algarve, com três
pólos principais de actividade nas áreas
de Portimão, Loulé-Faro e Tavira
- V.R.Sto.António.
Distingue-se,
ainda, sismicidade significativa nas Beiras
e Trás-os-Montes, alguma da qual relacionada
com falhas activas já reconhecidas. Também
na região de Évora há a
assinalar importante sismicidade.
Algumas
das áreas com sismicidade mais relevante
são: |
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Sismicidade
da zona oeste-ibérica, com base no catálogo
sísmico do IGIDL e o catálogo
1970-2000 do IM <www.igidl.ul.pt> |
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| : |
| : |
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A
falha da Nazaré tem apresentado
actividade especialmente na parte submersa.
Os epicentros dos sismos parecem acompanhar
esta zona de fractura. Foi nesta falha
que se gerou o sismo de 26 de Dezembro
de 1962, com magnitude 5,7.
- Falha
do Vale Inferior do Tejo
A
falha do
Vale Inferior do Tejo,
com direcção aproximada
NE-SW, corresponde a uma fonte sismogénica
em que se têm verificado vários
eventos catastróficos (p. ex.:
1344, 1531, 1909), que atingem, por
vezes com grande violência, a
cidade de Lisboa. Foi nesta falha, provavelmente
nas proximidades de Vila Franca de Xira,
que ocorreu o sismo de 26 de Janeiro
de 1531 (um dos mais energéticos
com epicentro em terra), e que destruiu
muitas aldeias no Vale de Santarém.
Foi também nesta falha que se
gerou o sismo de Benavente, em 23 de
Abril de 1909 (que destruiu por completo
esta vila e várias aldeias próximas,
causando, também, danos em Lisboa),
cuja magnitude está estimada
entre 6 e 7,6, e que é considerado
o sismo mais destruidor, em Portugal
Continental, no século XX.
É,
também, importante zona sísmica.
A 11 de Novembro de 1858 ocorreu um
sismo destruidor que provocou enorme
destruição em Setúbal,
e foi sentido em todo o território
continental, cujo epicentro provável
se localizou no mar, a alguns quilómetros
desta cidade. Alguns autores integram
este sismo, com magnitude estimada em
7,1, nos 15 maiores ocorridos mundialmente
em crosta continental estável.
- Sul de
Portugal Continental
Verifica-se
grande concentração de
epicentros na região do Algarve.
A
sismicidade aludida é maior no
barlavento, na área da serra
de Monchique, estendendo-se para o mar
mais ou menos ao longo da falha de Portimão.
Foi provavelmente nesta falha que teve
origem o sismo de 6 de Março
de 1719, cuja magnitude estimada é
7.
Provavelmente
associada ao diapirismo, verifica-se
sismicidade importante nesta zona. Em
27 de Dezembro de 1722 ocorreu um sismo
em que Loulé foi quase totalmente
destruida (mas alguns autores situam
o epicentro ao largo de Tavira, apontando
evidências da ocorrência
de um tsunami).
Também
a 12 de Janeiro de 1856 ocorreu um sismo
muito importante, com origem provável
na falha de Loulé, que causou
muitos danos no Algarve, particularmente
em Loulé, Tavira e Faro.
No
Golfo
de Cádiz é uma área
sismogénica,
designadamente a zona do banco de Guadalquivir,
onde se define um alinhamento de epicentros.
Outro alinhamento, com direcção
SE-NW, prolonga-se do referido banco
até ao cabo de São Vicente
(com possível ligação
à falha de Portimão).
É possível que alguns
sismos importantes que afectaram a região
algarvia (por vezes com tsunamis
associados) tenham sido gerados nestes
alinhamentos.
Estruturas
activas nesta área têm
provocado sismicidade significativa.
Em 19 de Março de 1858 ocorreu
um sismo com origem nesta falha que
destruiu a vila de Moncorvo.
Esta
zona do Alentejo é caracterizada
por sismicidade difusa. O maior sismo
recente ocorreu em Julho de 1998 e teve
magnitude 4,1.
Bibliografia
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Parte II, Lisboa.
CABRAL,
J. (1995) - Neotectónica em Portugal
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Publicação nº 18, Instituto
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MOREIRA,
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SENOS,
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SOUSA,
F. L. Pereira de (1930) - O Terramoto
de 26 de Janeiro de 1531. Boletim da
Academia de Ciências de Lisboa. |
|
Zona |
Alguns
sismos |
Vale
inferior do Tejo |
1344,1531,
1909 |
Loulé |
1587,
1856 |
Setúbal |
1858 |
Batalha
- Alcobaça |
1528,
1890 |
Moncorvo |
1751 |
|
| Algumas
zonas com sismicidade histórica
notável |
|
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|
Carta
de isosistas do sismo de 1909 |
|
Data |
Magnitude |
Obs. |
1344 |
|
Grande
destruição
rm Lisboa |
1531 |
7,0
a 7,5 |
Grande
destruição
rm Lisboa |
1909 |
6,4
a 7,1 |
Destruição
de Benavente; intensidade
IX a X |
|
| Alguns
sismos intraplacas com epicentros
possivelmente associados à
Falha do Vale Inferior do Tejo,
na área de Benavente |
|
|
|
Benavente
após o sismo, em 23 de Abril
de 1909 |
| |
|
Mapa
de isossistas do sismo de 11 de Novembro
de 1858 (escala de Mercalli mod.), adpat.
Moreira (1991) |
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