Geologia Ambiental

   Elementos de apoio preparados por J. Alveirinho Dias

Abr 00  
Baseado principalmente em J. Cabral (1993)

SISMOS
Enquadramento Sismotectónico de Portugal
 
     

Na junção tripla dos Açores confluem a crista médio-atlântica e o chamado "Rift da Terceira", de direcção WNW-ESE, que corresponde ao segmento mais ocidental da Zona de Fractura Açores-Gibraltar. A SE da ilha de S. Miguel esta inflecte para a direcção E-W com movimento essencialmente do tipo desligamento direito, a "Falha de Glória". Esta zona de fractura foi identificada pela primeira vez em 1971, pelo sonar de pesquisa lateral de longo alcance GLORIA, de onde lhe advém o nome.

..
 
Enquadramento sismotectónico de Portugal
           
Tem comportamento assísmico, o que tem sido interpretado como resultado possível de deslizamento assísmico ao longo da zona de fractura, ou como reflexo dos intervalos de recorrência dos sismos que aí ocorrem serem longos, superiores ao período de registo da sismicidade instrumental, devido à reduzida taxa de movimentação neste acidente tectónico. Todavia, em 25 NOV 1941 registou-se um sismo de grande magnitude (8,4), com epicentro localizado junto à extremidade oriental da falha de Gloria, cujo mecanismo focal indica desligamento direito, perfeitamente compatível com a atitude daquele acidente. É possível que o presente comportamento assísmico desta falha esteja relacionado com a grande queda de tensão produzida por este sismo.
           

A partir do cruzamento com a Crista Madeira-Tore (a cerca de 20W) para oriente torna-se particularmente difícil de definir a fronteira entre as placas eurasiática e africana devido à complexidade da morfologia submarina e ao facto da sismicidade, embora aumentando de intensidade, se apresentar acentuadamente difusa. O movimento de desligamento dextrógiro passa a cavalgamento da placa eurasiática sobre a placa africana, com componente secundária de desligamento direito.

 
 
Distribuição de epicentros de sismos históricos e instrumentais, entre 33dC e 1991. Adaptado de L. Matias, in J. Cabral (1993).
           

Junto ao Banco do Gorringe localizam-se os epicentros de muitos dos sismos que têm afectado o território continental português, designadamente os de 1 de Novembro de 1755 (M>8.5) e de 28 de Fevereiro de 1969 (M de 7.3 a 8.0). Neste sector, a fronteira de placas corresponde essencialmente a uma subducção intra-oceânica incipiente, denunciada pela presença de hipocentros até 67 km de profundidade.

Este comportamento resulta do movimento de convergência NW-SE entre a Ibéria e a placa africana, à razão estimada em 4mm/ano.

A oriente de 17W os mecanismos focais de sismos ocorridos na zona de fronteira de placas revelam uma combinação de desligamento e de falhamento inverso, passando os mecanismos de falha inversa a predominar a partir da área do Banco do Gorringe até ao Golfo de Cádiz, com a ocorrência de eventos de profundidade intermédia, atingindo 130km.

 
 
 Enquadramento neotectónico de Portugal continental, estando representadas algumas das principais falhas activas, segundo J. Cabral (1993).
           
Para oriente abandona-se o domínio oceânico e entra-se no domínio continental. A sismicidade torna-se mais difusa estendendo-se por uma faixa com mais de 500 km de largura, correspondendo à colisão continental entre a África e a Eurásia. A fronteira de placas entre a Eurásia e a África cruza as margens continentais ibérica e africana, passando as placas a interagir por colisão continental na zona bético-rifenha, incluindo o Mar de Alboran e a cordilheira do Atlas. A colisão continental processa-se essencialmente por deformação entre numerosos blocos litosféricos delimitados por falhas 2que atravessam toda a litosfera continental, desenhando um mosaico de microplacas cuja interacção complexa origina sismicidade difusa, com hipocentros predominantemente superficiais, mas com ocorrência também de importante sismicidade intermédia (30 a 150km).
           
... ... ... ...