Geologia Ambiental

   Elementos de apoio preparados por J. Alveirinho Dias

Mai 00    

SISMOS
Previsão Sísmica
           
Apesar da intensa investigação sobre o assunto, e não obstante alguns sismos terem já sido previstos, não é ainda possível, na esmagadora maioria dos casos, prever com fiabilidade a ocorrência de sismos.
           
  • Alguns métodos possíveis para a previsão de sismos
           
    • Análise de sismos percursores
           

A primeira previsão de um sismo bem sucedida foi efectuada por cientistas chineses em 1975. A previsão foi efectuada com base numa série de sismos percursores.

O sismo de Haicheng, de 4 de Fevereiro de 1975, teve magnitude de 7,3 tendo destruído ou danificado 90% das estruturas da cidade. No entanto, houve apenas algumas centenas de mortes pois as autoridades chinesas tinham previamente procedido à evacuação da maior parte da população (evacuando mais de 1 milhão de pessoas).

No dia 1 e 2 de Fevereiro verificou-se uma série de pequenos sismos com M < 1.

No dia 3 ocorreu um com M = 2,4 e nas 17 horas seguintes ocorreram 8 sismos com M > 3.

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Após isso praticamente não se registou actividade sísmica durante 6 horas, após o que se verificou o mega-sismo.

Infelizmente, em 1976 ocorreu o sismo catastrófico de T'Hanshan, um dos mais mortíferos da História, em que não houve sismos percursores.

         
         
    • Análise de sismos percursores
   
         

As razões de elevação ou de subsidência regionais podem ser bastante significativas na previsão de sismos.

A primeira vez que, de forma inquestionável, se estabeleceu uma relação bem evidente entre variações topográficas e a ocorrência de um sismo foi no Japão, estando os resultados expressos na figura ao lado.

Verificaram-se elevações topográficas anómalas relativamente às tendências de longo período durante mais de 10 anos antes da ocorrência, em 1964, do sismo de Niigata (magnitude 7,5).

Após o sismo verificou-se recuperação topográfica.

Actualmente, dadas as potencialidades do método, vastas regiões da Terra estão a ser monitorizadas através de técnicas de geodesia satelitária, no sentido de detectar variações topográficas que possam ser significativas.

No entanto, em muitos dos sismos ocorridos não têm sido detectadas modificações topográficas prévias.

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    • Análise de sismos percursores
   
         

Designam-se por lacunas sísmicas as áreas, ao longo de zonas de fractura sismogénicas, que, nos últimos tempos, não têm produzido grandes sismos.

Pensa-se que nessas áreas se estão a acumular tensões e, consequentemente, podem produzir um grande sismo no futuro próximo.

Este método tem-se revelado bastante útil na previsão sísmica. Desde 1965 que já foram previstos mais de uma dúzia de grandes sismos inter-placas com este método, incluindo um no Alaska, três no México, um na América do Sul e três no Japão. Todavia, o termo previsão significa, neste contexto, que se sabe que está para ocorrer um sismo mas é impossível dizer quando.

A análise dos padrões de distribuição da sismicidade sugere que, por vezes:

a) se verifica redução da frequência de sismos pequenos e moderados antes de um grande evento;

b) existe um anel de epicentros de pequenos sismos rodeando a zona onde vai ocorrer um grande evento.

Foi, por exemplo, o que se verificou nos 16 meses que antecederam o sismo de 1983 em Coalinga, na Califórnia, que teve magnitude de 6,2.

         
         
    • Modificação na velocidade das ondas P
   
         

 Vários registos indicam que, antes de um sismo, pode haver modificações na velocidade das ondas sísmicas.

Num sismo ocorrido nos Estados Unidos da América verificou-se decréscimo da velocidade das ondas P alguns meses antes do evento, tendo voltado ao normal imediatamente antes do abalo.

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    • Modificações da Resistividade Eléctrica
         

 Têm sido noticiadas variações da resistividade eléctrica antes da ocorrência de sismos nos Estados Unidos da América, na Rússia e no Japão.

Embora o assunto não esteja ainda convenientemente explicado nem explorado, a confirmar-se, poderá ser um método preditivo bastante útil.

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    • Aumento na Emissão de Radão
         

A quantidade de radão dissolvido na água e colhida através de furos profundos pode, aparentemente, aumentar significativamente. Este método está a ser estudado por vários laboratórios.

Os exemplos apresentados nas figuras referem-se a sismos ocorridos na Rússia, um em 1966 com magnitude 5,3 e outro que foi uma réplica deste, em 1967, com magnitude 4.

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