| Geologia
Ambiental |
Elementos de apoio
preparados por J.
Alveirinho Dias |
| mod 00; mod Mar06 |
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MOVIMENTOS
DE MASSA
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Tipos
de Movimentações de Massa |
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Cedência
de vertentes - ruptura brusca de uma vertente
com deslocação de material para posições
mais baixas por deslizamento, rolamento, queda ou
transporte rotacional. São genericamente
designados, embora de forma não totalmente
correcta, por movimentos de terras ou "landslides".
- Fluxos
sedimentares - fluxos de sedimentos misturados
com um fluido (ar ou água).
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| Principais
tipos de movimentações de massa |
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Há
muitos tipos de movimentações de massa,
as características dos quais dependem de factores
variados, designadamente do pendor da vertente, do
conteúdo em água, do tipo de material
envolvido, e dos parâmetros ambientais locais
(como a temperatura).
Pode considerar-se que existem
três categorias principais: deslizamentos, fluxos
sedimentares e quedas de detritos.
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| Quedas de
rochas e de detritos |
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Constituem
movimentações bruscas de material geológico
(blocos de rochas, calhaus, areia, etc.) que ficou solto
devido à meteorização ou a outras
causas.
A
movimentação efectua-se por queda livre,
rolamento e deslizamento. Ocorrem geralmente em vertentes
muito inclinadas, como as arribas (marinhas e fluviais)
e as barreiras das vias de comunicação.
A
separação do material susceptível
de movimentação ocorre, em geral, em planos
de fraqueza estrutural (planos de estratificação,
diacláses, falhas etc.).
São
induzidas, muitas vezes, por escavamento, natural ou
artificial, da base da vertente e/ou alteração
do pendor (escavações para estradas, erosão
marinha ou fluvial, etc.).
Em
climas com fortes amplitudes térmicas a termoclastia
provoca frequentes quedas de blocos. Também a
alteração química da rocha devida
à percolação da água através
das fissuras é responsável por muitas
quedas de blocos, principalmente em litologias carbonatadas.
Por
vezes o mecanismo indutor directo é um sismo.
Com
frequência, na base, existe depósito de
sopé (que os processos marinhos ou fluviais vão
erodindo). |
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| Deslizamentos |
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- Deslizamentos
rotacionais
("slumps")
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Consiste
na rotação de rocha ou rególito
ao longo de uma superfície côncava, podendo
afectar um bloco único ou grandes complexos de
blocos. A
superfície superior de cada bloco fica, frequentemente,
pouco perturbada.
Mais
frequentemente este tipo de movimentação
afecta materiais não consolidados ou pouco consolidados.
Deixam
geralmente cicatrizes arqueadas e/ou depressões
na vertente.
Podem
ser induzidos por mecanismos variados, mas os mais comuns
são as precipitações elevadas,
as cheias e os sismos.
No litoral,
uma causa frequente destes movimentos rotacionais é
a erosão marinha da base das vertentes costeiras,
designadamente das arribas. Ficando sem suporte na base,
a vertente colapsa, muitas vezes através de movimentos
rotacionais. Nestes casos o escarpado (arriba) recua
significativamente, e na base ficam os materiais da
frente da rotação que progressivamente
vão sendo erodidos pelas ondas.
Quando estes
movimentos se verificam em vertentes fluviais, se são
de grande amplitude podem mesmo provocar a deslocação
do leito do rio ou ribeira que, impedida de utilizar
o seu curso (devido aos materiais movimentados), rompe
pelo caminho mais fácil que, regra geral, é
a frente da movimentação. |
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Estes
tipos de movimentação são, com
frequência, induzidos por actividades humanas
que ampliam o pendor das vertentes. Como tal, são
comuns nas barreiras das estradas. Por vezes, a abertura
de uma nova estrada provoca a destabilização
da vertente, acabando por induzir a cedência desta. |
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- Deslizamentos
translacionais (Landslides)
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Também
designados por "movimentações translacionais",
neste tipo de cedência verifica-se o deslizamento
mais ou menos rápido de rocha ou de detritos
ao longo de um plano pré-existente (em geral
planos de estratificação, foliação,
diacláses, etc.).
Diferem
das movimentações rotacionais ("slumps")
principalmente pelo facto da superfície de deslocamento
não ser encurvada mas sim plana.
A
maior parte dos deslizamentos ocorre porque a tensão
tangencial da gravidade e a inclinação
dos planos de fraqueza estrutural da rocha têm
o mesmo sentido.
Com
frequência há depósito de sopé
constituído por materiais anteriormente deslocados.
O
maior deslizamento conhecido é o de Saidmarreh,
nas Montanhas de Zagros, no sudoeste do Irão,
ocorrido há cerca de 10 mil anos, em que um "bloco"
de calcário com 305 m de espessura, 14 km de
comprimento e 5 km de largura se destacou do maciço
de Kabir kuh e deslizou através do vale de Saidmarreh,
com 8 km de largura, tendo inércia suficiente
para subir uma elevação com 460 m de altura,
tendo parado a cerca de 18 km da origem. |
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Como
se referiu, são bastante comuns nas arribas marinhas,
constituindo um perigo para os veraneantes. Em Portugal,
todos os Verões há turistas acidentados
por este processo, apesar dos frequentes avisos existentes
em muitos locais para não ficarem junto à
base das arribas. |
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| Fluxos
Sedimentares |
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Os
fluxos granulares não são saturados com
água. Podem
ocorrer com pouca ou nenhuma água visto que o
comportamento fluido advém da mistura com o ar.
Vulgarmente
contêm entre 0% a 20% de água. |
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+
Reptação
(creeping) |
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É
a movimentação muito lenta, geralmente
contínua, de rególito numa vertente, causado
por tensões tangenciais suficientemente fortes
para produzirem deformação permanente,
mas insuficientes para conduzirem a ruptura brusca (embora,
por vezes, dela sejam precursoras). Praticamente todas
as vertentes são afectadas por este tipo de movimentação,
embora os ritmos a que se verificam sejam muito variados.
Com
frequência as evidências de reptação
são árvores inclinadas, estradas e vedações
deslocadas, etc. |
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Considera-se
geralmente que há três tipos de reptação:
a) sazonal, em que a movimentação é
afectada por variações sazonais da humidade
e da temperatura do solo, b) contínua, em que
as forças tangenciais superam continuamente as
de resistência do material; e c) progressiva,
em que as vertentes estão progressivamente a
atingir o ponto de ruptura brusca. |
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+
Movimentos de terras
(earthflows) |
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Nos
movimentos de terras o material, geralmente rególito,
entra em liquefação e desloca-se para
posições inferiores. A forma geral é
alongada e apresenta forma lenticular característica.
A zona de cedência
fica registada por uma depressão e, normalmente,
por um pequeno escarpado. A parte frontal corresponde
a uma pequena elevação correspondente
à principal área de deposição.
Ocorrem geralmente
em vertentes moderadas a íngremes, em que os
materiais correspondem a sedimentos finos. |
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Estas
movimentações tanto podem acontecer em
condições em que não há
envolvimento de grandes quantidades de água,
como em situações em que o solo está
saturado com água (desenvolvendo-se, então,
movimentos do tipo fluxo detrítico).
O movimento
pode ser lento ou rápido, sendo a maior parte
das vezes moderado. Começa vulgarmente com reptação
cada vez mais intensa que se transforma em movimento
de terras. |
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+
Avalanches (detríticas) |
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Resultam
do completo colapso de uma vertente íngreme,
em consequência do que se verifica movimentação,
com velocidade muito elevada, de grandes volumes de
misturas de rocha e rególito. Na realidade, este
tipo de movimentações de massa é
complexo, isto é, resulta da combinação
de vários tipos de movimentação
(queda de rochas, deslizamento, fluxos vários).
Em
princípio, quanto maior é a avalanche
detrítica maior é a velocidade a que ela
se desloca, pois que maior é a energia associada
ao material em movimento. |
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Estima-se
que no caso da avalanche que ocorreu na Pedreira
de Elm, na Suíça,
em 1881, a velocidade tenha sido da ordem de
180km/h.
Algumas
avalanches podem transportar grandes blocos, tendo mesmo
sido reportada, num caso, a movimentação
de um bloco com três quilómetros que se
deslocou, juntamente com o restante material, vários
quilómetros. Em tais avalanches de grande magnitude
a velocidade atingida pode ser da ordem de 300km/h.
Com
frequência são induzidas por sismos ou
erupções vulcânicas. Neste
contexto, convém distinguir entre avalanches
"quentes" e avalanches "frias".
As primeiras resultam de actividade vulcânica
sendo induzidas por sismos associados ao vulcanismo,
explosões vulcânicas ou qualquer outro
tipo de perturbação associada. O material
mobilizado, por via de regra, são tephra
provenientes desse mesmo vulcão (embora possam
ter sido produzidas em erupções anteriores).
As avalanches frias ocorrem em regiões não
vulcânicas.
Uma
avalanche quente bem estudada foi a que ocorreu no Monte
de Santa Helena, em 1980, vários meses antes
da erupção deste vulcão. A injecção
de magma no flanco norte criou, à superfície,
uma elevação com vertentes extremamente
instáveis. Um sismo associado ao vulcanismo provocou
o início de uma movimentação de
massa, resultando numa grande avalanche detrítica
que desceu a encosta a grande velocidade.
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Avalanche detrítica
do Monte de Stª. Helena, ocorrida em 1980 (U.S.G.S.) |
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- Fluxos
Aquosos
(slurry flows)
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Os
fluxos aquosos são fluxos em que o solo ou/e
o rególito saturados de água se comportam
como uma massa fluida e, como tal, têm com frequência
comportamentos torrenciais. Contêm geralmente
entre 20% e 40% ou mais de água.
Quando
a água corresponde a mais do que cerca de 40%
do fluxo, este acaba por progredir na rede fluvial distâncias
longas, por vezes da ordem de dezenas de quilómetros.
O fluxo é do tipo turbulento. Em geral, devido
à quantidade de sedimentos finos em suspensão,
a mistura de água com sedimento comporta-se,
na globalidade, como um fluido de densidade global elevada
. Nestas condições podem transportar,
eventualmente, elementos de grandes dimensões,
que podem, excepcionalmente, ter expressão decamétrica,
como se verificou, por exemplo, durante as cheias
de Dezembro de 1999 na Venezuela.
Em
geral ocorrem na sequência de períodos
de precipitação intensa ou moderada mas
contínua, estando muitas vezes associados a episódios
de cheia. Na história recente têm sido
responsáveis por grandes catástrofes.
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+
Solifluxão |
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É
a lenta movimentação, da ordem de centímetros
por dia, ao longo de uma vertente do rególito
saturado com água.
Este
tipo de movimentação produz lobos típicos
nas vertentes. Ocorrem em áreas em que os solos
ficam saturados com água durante longos períodos.
São
muito comuns em climas frios em que a parte superior
do solo congela e descongela periodicamente.
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Lobos de solifluxão
em permafrost |
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São
extremamente frequentes no permafrost (solos
permanentemente gelados, que constituem 20% da superfície
dos continentes) em que durante a estação
quente a parte superior do permafrost descongela
constituindo a água e o sedimento uma massa viscosa
que flui por solifluxão sobre a camada gelada,
produzindo topografia lobada característica.
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+
Fluxos detríticos (debris
flows) |
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Os
fluxos detríticos são fluxos saturados
com água em mistura homogénea com detritos
variados, em que a percentagem de materiais grosseiros
(areias e cascalhos) é elevada (em geral mais
de 50%). Normalmente, a quantidade de materiais finos
(siltes e argilas) em suspensão turbulenta é,
também, elevada.
Os
detritos envolvidos nestes fluxos podem ter dimensões
muito variadas, desde partículas muito pequenas,
como as argilas, até blocos com várias
dezenas de metros. É esta mistura densa que serve
de sustentáculo ao transporte em suspensão
de elementos maiores. Blocos,
por vezes muito grandes (dezenas de metros), podem ser
transportados nestes fluxos, como se verificou, por
exemplo, durante as cheias
de Dezembro de 1999 na Venezuela.
Geram-se,
normalmente, quando massas de materiais não consolidados,
saturados com água, se tornam instáveis.
A água pode ser proveniente de chuvas intensas,
da fusão de neve e gelos, ou do transbordo de
lagos (p.ex.: lagos vulcânicos). Por vezes iniciam-se
como movimentações rotacionais.
As
velocidades atingidas por estes fluxos são muito
variáveis, dependendo, entre outros factores,
da quantidade de água, da percentagem de material
sólido, e do pendor. Em termos genéricos
pode dizer-se que a velocidade pode variar entre menos
de 1m/ano e mais de 100km/h, embora normalmente a frente
do fluxo tenha velocidade bastante maior do que a parte
posterior. Tal pode conduzir à
segregação de vários fluxos individuais,
com densidades médias diferentes e, consequentemente,
com velocidades diferentes, como se verificou, em Novembro
de 1985, no evento de Nevados
del Ruiz. |
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Os
fluxos detríticos podem deslocar-se por distâncias
muito grandes, e a parte frontal pode atingir velocidades
muito elevadas, superiores a 85 km/h. Os fluxos detríticos
produzidos aquando da erupção do Cotopaxi,
no Equador, em 1877, deslocaram-se mais de 320 km à
velocidade média de 27 km/h.
Quando atingem velocidades muito
grandes, os fluxos detríticos podem mesmo subir
vertentes de vales ou outras elevações
que estejam na sua trajectória. Quando confinados
em vales encaixados ou por construções,
estes fluxos podem temporariamente aumentar de espessura,
preenchendo esses vales até 100 metros de altura
ou mais. |
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Estes
fluxos tendem a deslocar-se pela rede de drenagem
superficial pré-existente. Todavia, muitas vezes
abrem os seus próprios canais de passagem, construindo
frequentemente, à sua passagem, diques naturais.
A localização exacta dos sítios
por onde passará um futuro fluxo deste tipo é
impredictível.
Os depósitos
correspondentes são, em geral, maciços,
heterométricos e não granuloclassificados,
tendo a parte frontal forma lobada e a superfície
cristas e depressões de relativamente pequena
amplitude.
Sobre a forma
como se desenvolvem e actuam os fluxos detríticos
vejam-se, entre outros, os casos do Nevados
de Huascaran (10 de Janeiro de 1963 e 31 de Maio
de 1970), do Nevado
del Ruiz (13 de Novembro de 1985) e do Monte
de Santa Helena (18 de Maio de 1980), do furacão
Mitch (Outubro de 1998) e das cheias
da Venezuela (Dezembro de 1999). |
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+
Fluxos de lama
(mudflows) |
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Os
fluxos de lama são fluxos aquosos que diferem
dos anteriores por a percentagem de materiais grosseiros
ser relativamente pequena. A percentagem de materiais
finos (siltes e argilas) corresponde, em geral, a mais
de 50%. Podem ocorrer em quase todos os tipos de vertentes.
São
induzidos, frequentemente, por períodos de elevada
pluviosidade, podendo desenvolver-se todos os termos
de transição entre cheia constituída
quase apenas por água da escorrência superficial
e fluxos de elevada densidade em que a quantidade de
matéria em suspensão é muito grande. |
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Normalmente
são muito fluidos e, por isso, deslocam-se através
da rede de drenagem pré-existente. Podem, assim,
atingir grandes distâncias, mesmo deslocando-se
em vales com inclinação suave.
Podem
atingir velocidades bastante superiores a 1 km/h, tendo-se,
nalguns casos, estimado velocidades de deslocação
da ordem de 150km/h. Na fase inicial, os fluxos de lama
muito fluidos podem atingir velocidades da ordem de
30 metros por segundo (mais de 100km/h) em apenas alguns
segundos. Na fase terminal, quando atingem zonas aplanadas,
a velocidade diminui para, apenas, alguns metros por
dia. |
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São
frequentemente induzidos por elevadas precipitações
ou por erupções vulcânicas que provocam
a fusão das neves. Os
fluxos de lama vulcânica são designados
por "lahar" e podem ser bastante
quentes se resultam de erupções com emissão
de grandes quantidades de "tephra".
Como os fluxos
de lama podem atingir velocidades muito grandes e percorrer
longas distâncias, são potencialmente muito
perigosos. Algumas das grandes catástrofes ocorridas
nas últimas décadas foram ocasionadas
for este tipo de movimentações de massa,
Acresce que, com frequência, na mesma altura em
que se desenvolvem estes fluxos ocorrem, também,
outros tipos de movimentações de massa. |
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Lahars |
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Lahar
(palavra com origem em "lahar", que
significa avalanche em javanês, uma das línguas
da Indonésia) é a designação
dada aos fluxos detríticos ou de lama provenientes
das encostas dos vulcões. Ambos estes tipos de
fluxo contêm elevada concentração
de fragmentos líticos, o que lhes confere uma
resistência interna suficiente para transportar
grandes blocos e, por vezes, casas e pontes. Exercem
pressões extremamente elevadas nas zonas por
onde passam, o que lhes confere um elevadíssimo
potencial erosivo / destrutivo.
Como a parte
frontal dos lahars se torna mais diluída
à medida que se desloca para jusante, transforma-se,
com frequência, num fluxo hídrico extremamente
concentrado. Assim, vai perdendo resistência interna
e, consequentemente, vai depositando os blocos maiores,
primeiro, e depois, progressivamente, os detritos de
menores dimensões.
Embora os lahars
sejam muito frequentes quando ocorrem erupções
vulcânicas, podem desenvolver-se mesmo em períodos
de inactividade do vulcão, em encostas cobertas
por piroclástos e tornadas instáveis devido,
por exemplo, a precipitações intensas.
Devido à saturação em água
das camadas superficiais, os sedimentos vulcânicos
podem entrar em liquefacção, constituindo-se
um fluido viscoso e de muito alta densidade, deslocando-se
este fluxo através do percurso de menor energia
potencial, pelo que o seu curso é ditado pela
topografia, em geral seguindo os vales dos cursos de
água.
Os lahars iniciam-se
frequentemente por:
- grandes deslizamentos com
saturação por água
- erosão de depósitos
vulcânicos devido a escorrência induzida
por forte pluviosidade
- fusão rápida
de gelo e neve depositada na parte superior de uma
elevação vulcânica
- libertação
súbita de água de glaciares ou lagos
vulcânicos (devido a erupções
e/ou modificações topográficas
rápidas)
Os lahars podem
ter dimensões muito variadas. Por vezes são
muito pequenos, tendo apenas centímetros de largura
e espessura, deslocando-se a velocidades inferiores
a 1m/s, como os que ocorrem em vertentes não
vegetadas durante chuvas intensas. No entanto, por vezes,
podem ter centenas de metros de largura e dezenas de
metros de espessura, fluindo a velocidades de dezenas
de metros por segundo, chegando a atingir zonas a mais
de 100 km da origem. Por exemplo, o lahar que
se formou, há cerca de 5600 anos durante uma
erupção do vulcão Monte Rainier
(Estado de Washington, Estados Unidos da América),
e que se deslocou ao longo do rio White, tem espessura
de 180m, tendo coberto vasta área, com cerca
de 320km2.
Os lahars têm
consistência análoga à do betão
fresco, mantendo elevado grau de fluidez quando em movimento,
mas, quando deixam de se deslocar, perdem água
quase instantaneamente e deixam de ser fluido. Devido
a estas características reológicas os
lahars, além de se movimentarem
com grande velocidade, têm grande capacidade de
penetração nos espaços vazios,
o que faz com que todas as cavidades existentes no seu
percurso sejam preenchidas por estes materiais.
À medida
que os lahars vão perdendo velocidade
o potencial de transporte diminui e a carga sólida
maior vai sendo depositada. Por consequência,
a paisagem típica de muitos lahars é
caracterizada pela presença de materiais muito
grosseiros (blocos, calhaus, etc.) à superfície.
A existência desses materiais muito grosseiros
à superfície deve-se, não apenas
à deposição directa nessa superfície,
mas essencialmente à desidratação
do lahar, que provoca diminuição
do volume e modificação do fabric
do sedimento, sendo os elementos grosseiros, no decurso
deste processo, "empurrados" para a superfície.
Paisagens deste
tipo podem ser observadas, por exemplo, nas áreas
atingidas durante o evento de 1985 do Nevado
del Ruiz. Nos Açores, na ilha Terceira, num
pequeno planalto existente nas proximidades do lugar
da Caparica, existe, também, uma paisagem deste
tipo, com blocos de traquito com quase uma dezena de
metros, e que foram para ali transportados por um lahar
induzido pela última grande erupção
do vulcão do Pico Alto, que ocorreu há
cerca de 25 000 anos.
Sobre a formação
e actuação de lahars, vejam-se
os casos do Nevado
del Ruiz (13 de Novembro de 1985) e do Monte
de Santa Helena (18 de Maio de 1980).
Em Portugal,
há muitos vestígios da actuação
de lahars nos Açores, sendo disso exemplo
o que se originou na zona do Pico Rachado (ilha Terceira)
e se deslocou mais de 6km ao longo da Ribeira de São
Roque. Ficou memorável o lahar que,
na noite de 21 para 22 de Outubro de 1522, na sequência
de um sismo violento, destruiu Vila Franca do Campo
(ilha de São Miguel), cobrindo uma área
com cerca de 3,5 km2, e causando milhares de mortos.
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Movimentações
de Massa |
Categoria |
Descrição |
Subcategoria |
Tipo |
Descrição |
Observações |
| Queda |
o
material cai livremente no ar, deslocando-se na
fase final por rolamento |
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|
ocorre
em vertentes muito íngremes |
Deslizamento |
o
material ( rocha, rególito ou solo) move-se
em bloco |
rotacional
(slump) |
|
a
superfície de deslizamento é côncava |
por
vezes dão origem a fluxos sedimentares;
com frequência as árvores (e mesmo
casas) não são destruídas |
| translacional
(landslide) |
|
a
superfície de deslizamento é plana |
Fluxo |
as
partículas movem-se independentemente umas
das outras |
Fluxos
Granulares |
não
são saturados com água; em geral
contêm entre 0% a 20% de água. |
Reptação
(creeping)
|
movimento
muito lento, visualmente quase imperceptível |
evidências:
árvores inclinadas, estradas e vedações
deslocadas, etc. |
| Movimentos
de terras (earthflows)
|
o
material, geralmente rególito, entra em
liquefação |
o
movimento pode ser lento ou rápido; ocorrem
em vertentes moderadas a íngremes |
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Avalanches detríticas |
tipo
complexo, em geral resultante da combinação
de vários tipos de movimentação |
em
princípio, quanto maior é a avalanche
maior é a velocidade |
| Fluxos
Aquosos (slurry
flows) |
saturados
de água (entre 20% e 40% ou mais de água) |
Solifluxão |
lenta
movimentação ao longo de uma vertente
do rególito saturado com água. |
frequentes
no permafrost; podem ocorrer em
vertentes suaves |
| Fluxos
detríticos (debris
flows) |
percentagem de materiais grosseiros maior que
50% |
velocidade muito variável (de 1m/ano a
100km/h). |
| Fluxos
de lama (mudflows)
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percentagem
de materiais finos maior que 50% |
velocidade
pode atingir mais de 100km/h |
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