Geologia Ambiental

   Elementos de apoio preparados por J. Alveirinho Dias

 Mod. Abr 00    

   Tectónica de Placas
 Fronteiras Complexas

Os Movimentos de Convexão do Manto
           

Com base em evidências de índole geofísica, principalmente sísmica, a comunidade científica aceita, na generalidade, que o mecanismo forçador da tectónica de placas é o movimento lento do manto ao deslocar-se em células de convexão. Esta ideia foi primeiro considerada, nos anos 30, por Arthur Holmes, geólogo inglês, tendo sido formulada como teoria na década de 60 por Harry Hess.

É de referir que, quando Wegener formulou a teoria da deriva continental em 1912, a Terra era considerada como um corpo sólido, sem movimentações significativas no seu interior, tendo os continentes posições estáticas. Foram estes conceitos, bem como a impossibilidade de Wegener encontrar uma explicação satisfatória para a movimentação dos continentes, que conduziram, na altura, à rejeição da teoria da deriva continental pela maior parte da comunidade científica. No entanto, quando os geofísicos, principalmente baseados no estudo das ondas sísmicas, começaram a definir as diferentes camadas que constituem a Terra, bem como o estado físico de cada uma, estavam, sem o saber, a compilar uma série de elementos fundamentais para para a compreensão da teoria da tectónica de placas. Desde os anos 60 que a Terra é vista como um corpo dinâmico, quer no que se refere à parte sólida superficial, quer no seu interior. Como Wilson afirmou em 1968, "the earth, instead of appearing as an inert statue, is a living, mobile thing."

           

Esquema do funcionamento das células de convexão no manto. Por volta dos 700km de profundidade os blocos de crusta oceânica são fundidos, sendo posteriormente homegeneizados no manto. Os materiais mantélicos aquecidos junto ao núcleo externo sobem nos ramos ascendentes das células de concexão até junto da litosfera, indo condicionar a existência de riftes. (adaptado de: Kious e Tilling, This Dynamic Earth, USGS ws)
           

Sob as placas rígidas que se encontram na parte superficial, os materiais movem-se de forma mais ou menos circular, tal como a água, numa panela sobre o lume, forma células de convexão. A água quente ascende à superfície, começa a arrefecer e mergulha novamente para o fundo onde torna a aquecer e a deslocar-se para a superfície, constituindo um fluxo convectivo. Como a viscosidade é extremamente diferente, as células de convexão existente no manto da Terra têm velocidades muitíssimo menores.

Para haver o fluxo convectivo tem de existir uma fonte de calor. Sabe-se que o calor da Terra tem duas origens: desintegração radioactiva e calor residual. Todavia, o calor proveniente da radioactividade natural é bastante pequeno quando comparado com o calor residual que emana da parte central da Terra. Assim, este é considerado como a fonte de calor que constitui o forçamento para a tectónica de placas.

Embora este mecanismo seja actualmente aceite pela generalidade da comunidade científica, ainda se está longe de compreender satisfatoriamente os processos envolvidos. Por exemplo, não se sabe quantas células de convexão existem, nem como e onde se originam, nem se conhece a sua estrutura.

           
 Fronteiras Complexas
 Pontos Quentes
           

 Perspectiva Histórica

 Placas Litosféricas

 Contribuição da Batimetria

 Contribuição da Sismologia

 Contribuição da Magnetometria

 Contribuição das Sondagens Profundas

 Fronteiras de Placas

 Células de Convexão

 Pontos Quentes (Hotspots)

 Hidrotermalismo Submarino