Geologia Ambiental

   Elementos de apoio preparados por J. Alveirinho Dias

 Mod. Abr 00    

   Tectónica de Placas
As Placas Tectónicas

Contribuição da Batimetria
           

Até ao século XIX a morfologia e as profundidades existentes no oceano aberto eram apenas assunto de especulação, pois que as medições existentes eram em número bastante reduzido. Certo é que, desde o século XVI, alguns navegadores intrépidos, designadamente portugueses, tinham efectuado algumas sondagens esporádicas em oceano aberto, tendo obtido resultados que sugeriam diversidade na distribuição das profundidades. No entanto, a sondagem com fio de prumo, que se utilizava até então, era, para grandes profundidades, bastante demorada, trabalhosa e pouco precisa, pelo que só muito esporadicamente era efectuada. Por outro lado, à excepção de alguns cientistas mais interessados, a comunidade em geral não reconhecia qualquer interesse importante neste tipo de investimento. Neste contexto, a ideia geral instalada era a de que os fundos oceânicos profundos eram bastante aplanados e de morfologia bastante suave.

A quantidade de medições de profundidade (sondagens batimétricas) em oceano aberto foi significativamente ampliada no século XIX quando começaram s ser efectuados alguns levantamentos batimétricos no Atlântico e nas Caraíbas. A carta batimétrica do Atlântico Norte, de Matthew Maury (tenente da U.S. Navy), publicada em 1854, foi provavelmente a primeira em que se representam montanhas submarinas no meio do Atlântico (que Maury apelidou de "Middle Ground"). Estas elevações foram mais tarde confirmadas aquando dos trabalhos de mar preparatórios do lançamento do cabo telegráfico trans-atlântico. A ampliação dos conhecimentos efectuada em cerca de meio século após a publicação do mapa de Maury é bem evidente quando se compara esta com a carta batimétrica editada em 1911, e onde é bem visível já o esboço da crista médio-atlântica.

 

 Mapa de Maury, publicado em 1854

 Carta batimétrica publicada em 1911

Foi apenas após a 2 Guerra Mundial (1914-18) que foi desenvolvida nova técnica, a da eco-sondagem, que permitiu começar a ter uma visão mais global e mais precisa da batimetria dos oceanos. A eco-sondagem baseia na emissão de um som, a partir do navio, o qual se propaga até ao fundo, sendo nele reflectido. O som reflectido é captado no navio, e o tempo entre a emissão e recepção é rigorosamente medido. Conhecendo a velocidade do som na água do mar, é fácil determinar a profundidade no local.

O primeiro perfil de eco-sondagem através de uma bacia oceânica foi realizado pelo U.S.S. Stewart, em 1922, tendo-se, então, efectuado 900 medições de profundidade. No entanto, a primeira utilização sistemática foi efectuada em 1925-1927 pelo navio Meteor, que num período de 25 meses, efectuou 14 travessias do Atlântico Sul, tendo obtido mais de 70 000 medições de profundidade. Os resultados da expedição Meteor indicavam claramente a existência de uma cordilheira submarina no meio do oceano.

Nos anos seguintes, a vulgarização do método da eco-sondagem permitiu pormenorizar o relêvo da crista média atlântica. Após a 2 Guerra Mundial verificou-se grande expansão da exploração oceanográfica, o que permitiu detectar muitas outras cordilheiras e montanhas submarinas, bem como descobrir muitas fossas abissais. Na realidade, o sistema de cristas médias oceânicas contorna, de forma zig-zagueante, toda a Terra, atingindo um comprimento total de mais de 50 000km. Este sistema de cordilheiras submarinas, de largura muito variável (que, nalgumas zonas, é de mais de 800km), dispõe-se à profundidade média de 4 500m. No entanto, foi apenas no início da década de 60 que o significado deste sistema global de cordilheiras submarinas e de fossas abissais começou a ser cabalmente percebido, no contexto da teoria da tectónica de placas. Efectivamente, os estudos batimétricos tiveram um papel da maior relevância no desenvolvimento desta teoria. Actualmente, embora com equipamentos utilizando novas tecnologias, a eco-sondagem, principalmente a batimetria multi-feixe, continua a ser um elemento fundamental nos trabalhos em curso.

           
As Placas Tectónicas
Contribuição da Sismologia
           

 Perspectiva Histórica

 Placas Litosféricas

 Contribuição da Batimetria

 Contribuição da Sismologia

 Contribuição da Magnetometria

 Contribuição das Sondagens Profundas

 Fronteiras de Placas

 Células de Convexão

 Pontos Quentes (Hotspots)

 Hidrotermalismo Submarino