Geologia Ambiental

   Elementos de apoio preparados por J. Alveirinho Dias

  Mod.: Abr 00    

O SISTEMA TERRA
           

Fracturas

Quando, sob tensão, uma rocha atinge o ponto de ruptura, fractura-se. Existem dois tipos principais de fracturas:

  • Diacláses - quando há fractura mas não existe movimento apreciável entre os dois blocos.
  • Falhas - quando a fractura é acompanhada de movimentação de um bloco relativamente ao outro, paralela ao plano de falha.

Diacláses

As diacláses são o tipo de fractura mais comum. Pode dizer-se que estão presentes em praticamente todos os afloramentos.

As diacláses formam-se quando as rochas são sujeitas a qualquer tipo de tensão e, também, quando essas tensões deixam de se exercer. Assim, não são só os grandes campos regionais de tensões que geram diacláses. A erosão, ao remover as camadas geológicas superficiais alivia as tensões confinantes das rochas subjacentes, provocando, muitas vezes, o desenvolvimento de diacláses. Também as arribas marinhas, ao recuarem devido à actuação das ondas na sua base, provocam uma relaxação que, com frequência, conduz ao desenvolvimento de diacláses. Estas fracturas podem, também, desenvolver-se em rochas vulcânicas, devido às tensões que se desenvolvem quando a lava arrefece e diminui de volume.

O desenvolvimento de diacláses é, geralmente, apenas o início de uma longa série de transformações que vão afectar as rochas. Por exemplo, estas fracturas facilitam a penetração e circulação profundas do ar e da água, os quais aceleram a alteração das rochas. Por outro lado, as raízes podem penetrar, por vezes profundamente, pelas diacláses, provocando a sua abertura e fracturação suplementares.

As diaclases ocorrem em sistemas, havendo normalmente sistemas que se desenvolvem quando as rochas são submetidas a tensão, e outros que surgem quando essas tensões deixam de se exercer.

A intersecção dos sistemas de diacláses conduz, por vezes, à compartimentação da rocha em blocos mais ou menos geométricos.

Falhas

Uma falha é um acidente tectónico originado por fractura do terreno, ao longo da qual houve deslocamento relativo, maior ou menor, dos dois compartimentos contíguos.

As falhas desenvolvem-se quando as tensões (compressivas, distensivas ou tangenciais) que se exercem nas rochas ultrapassam o ponto de ruptura.

Existem três tipos principais de falhas:

  • falhas normais - que se formam em ambientes distensivos
  • falhas inversas - que se formam em ambientes compressivos
  • falhas de desligamento - que se formam em ambientes de tensões tangenciais

Não é comum encontrar falhas "puras" deste tipo. Normalmente, quer as falhas normais, quer as inversas, têm alguma componente de desligamento.

A falha divide dois blocos, designados normalmente por bloco levantado e bloco abatido. As partes dos blocos adjacentes à falha chamam-se os lábios da falha.

O plano que divide os dois blocos tem o nome de plano de falha. Com frequência, os blocos ao deslizarem um pelo outro deixam marcas dessa movimentação no plano de falha. Essas marcas chamam-se estrias e são uma boa indicação do tipo de movimento que ocorreu. Por vezes, o plano de falha, devido à ficção e à temperatura atingidas aquando da movimentação (isto é, ao jogo da falha), fica bastante polido. Nestas condições, é costume dizer-se que existe um liso ou espelho de falha. Quando as falhas afectam massas de pirite, o espelho de falha permite mesmo, por vezes, a reflexão da imagem (quase como um espelho normal).

A falha é caracterizada essencialmente pela direcção e pela inclinação do plano de falha.

Devido à movimentação ocorrida na falha, dois pontos previamente adjacentes (ditos pontos homólogos) ficaram afastados de determinada distância. Essa distância é designada por rejeito da falha. É frequente utilizarem-se, também, as designações de rejeito horizontal (distância, na horizontal, que separa dois pontos homólogos), e rejeito vertical (distância, na vertical, que separa dois pontos homólogos). Como é evidente, a adição vectorial destes dois rejeitos dá o rejeito real.

Por vezes, a falha ao jogar, isto é, os blocos ao deslocarem-se um relativamente ao outro, fracturam-se em pedaços pequenos que ficam entre eles, e que mais tarde podem ser agregados por qualquer tipo de cimento (frequentemente carbonato precipitado pela água). Diz-se, então, que existe uma brecha de falha ou de fricção. Outras vezes, no plano de falha existem argilas, ditas argilas de falha ou, na terminologia mineira, "borracha").

A intersecção da falha com a superfície topográfica designa-se por traço de falha, o qual, muitas vezes, não é evidente devido à existência de solo e vegetação que o cobrem. No entanto, muitas vezes, as falhas adquirem expressão morfológica muito evidente, chegando a constituir desníveis notáveis. Nestes casos diz-se que existe uma escarpa de falha.

Normalmente, as falhas não ocorrem isoladamente mas sim em sistemas de falhas. A maior parte dos sistemas de falhas estão associados a campos de tensões relacionados com a tectónica de placas.

Por vezes ocorrem sistemas de falhas inversas, gerados por ambientes tectónicos compressivos, que fazem com que o comprimento central se eleve. São os chamados horsts, que são frequentes, por exemplo, nas zonas de fronteira de placas convergentes, quando há colisão continental. Os horsts conduzem a um encurtamento da crusta, isto é, constitui uma forma dos materiais se acomodarem a tensões fortemente compressivas.

Outras vezes, ocorrem sistemas de falhas normais, geradas por ambientes distensivos, na sequência do o compartimento central é abatido. São os grabens, frequentes, por exemplo, nas zonas em que se estão a instalar fronteiras de placas divergentes, isto é, onde está a ocorrer riftogénese. Perante um ambiente fortemente distensivo, os materiais acomodam-se no sentido de proporcionarem um alongamento da crusta.