Ásia

 


Islão



Tal como cristãos e judeus, também os muçulmanos vêem um fim apocalíptico para o mundo: haverá calamidades naturais, seguidas pela Guerra do Armagedão, que anuncia explicitamente, para o último ano do derradeiro milénio (999 após a Hégira), uma catástrofe generalizada sobre todas as cidades da Palestina, liderada pelo imã «oculto», um descendente de Maomé, e por Jesus contra as forças do mal, lideradas por Dajjal, uma figura do Anticristo. Após um milénio de paz, tanto Jesus como o imã morrerão, e o   julgamento final terá lugar. Para os hindus e os budistas, o tempo é cíclico, e por isso o mundo renova-se sempre depois de cada ciclo e nunca termina.

No Apocalipse Muçulmano escrito durante séculos  em terras islâmicas, a história surge,  dividida em sete diferentes milénios, correspondentes aos sete planetas que, por sua vez, a afectam. Deste modo, a cada milénio corresponderia sempre um planeta, uma língua e até uma forma de escrever.
A criação de Adão, neste quadro, remontaria ao primeiro dos milénios e o último ao advento da revelação de Maomé. Na profecia conhecida por Apocalipse de Ka'b al-Ahbâr (séc. XIII[1][23]), o sexto século do
Islão é, com efeito, descrito como o termo da revelação e como “cumprimento da perfeição”. Na tradução de A.Abel, o pequeno poema que fecha uma outra profecia milenarista, a Síhat al-Búm (séc. XIII[2][24]), anuncia explicitamente, para o último ano do derradeiro milénio (999 após a Hégira), uma catástrofe generalizada sobre todas as cidades da Palestina, bem como a decadência e abdicação dos cristãos (no quadro do modelo islâmico da conversão universal que deverá preceder a era escatológica da
salvação). 
No Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, há várias suratas que tratam do Juízo Final. Abaixo, versículos seleccionados de algumas delas:

56 — O EVENTO INEVITÁVEL


"Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.
Quando acontecer o evento inevitável,
- ninguém poderá negar o seu advento -,
Degradante (para uns) e exultante (para outros).
Quando a terra for sacudida violentamente,
E as montanhas forem desintegradas em átomos,
Convertidas em corpúsculos dispersos,
Então, sereis divididos em três grupos.
O dos que estiverem à direita - E quem são os que estão à direita?
O dos que estiverem à esquerda - E quem são os que estão à esquerda?
E o dos primeiros (crentes) - E quem são os primeiros (crentes)?
Estes serão os mais próximos de Deus,
Nos jardins do prazer.
(Haverá) uma multidão pertencente ao primeiro grupo.
E poucos, pertencentes ao último.

69 — O INELUTÁVEL
"Porém, quando soar um só toque de trombeta,
E a terra e as montanhas forem desintegradas e trituradas de um só golpe,
Nesse dia, acontecerá o evento inevitável.
E o céu se fenderá, e estará frágil;
E os anjos estarão perfilados e, oito deles, nesse dia, carregarão o Trono do
teu Senhor.
Nesse dia sereis apresentados (ante Ele), e nenhum dos vossos segredos (Lhe)
será ocultado."

82 — A TERRA FENDIDA
"Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.
Quando a Terra for fendida,
Quando os astros forem dispersos,
Quando os mares transbordarem,
Quando as sepulturas forem revolvidas,
Cada alma saberá o que tiver feito ou deixado de fazer.
Ó homem, o que te engana a respeito de teu generoso Senhor,
Que te criou, te formou, te aperfeiçoou,
E te deu as feições que escolheu?
Apesar disso, desacreditas no Dia do Julgamento."

99 — O TERREMOTO
Quando a Terra for fortemente abalada,
Quando a Terra descarregar seus fardos,
Quando o homem perguntar: ‘Que ocorre com ela?’
Naquele dia, ela contará sua história.
Por inspiração de teu Senhor.
Naquele dia, os homens comparecerão, debandados, para ver suas obras."

101 — A CALAMIDADE
"Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.
A Calamidade!
Que é Calamidade?
Que te dirá o que é a Calamidade?
Nesse dia, os homens serão como borboletas dispersas
E as montanhas, como lã cardada."

 


 

Hindu

 

 

Para os Hindus o apocalipse não é mais do que o fim natural do mundo na quarta era ou na era da deusa Kali

Para os hindus e os budistas, o tempo é cíclico, e por isso o
mundo renova-se sempre depois de cada ciclo e nunca termina

Cada apocalipse marca o fim de um ciclo e o inicio de outra criação

Poderíamos resumir alguns tópicos de interesse do Hinduismo

O Universo sempre existiu e sempre existirá, num eterno devir cíclico, passando por períodos de expansão e de dissolução (pralaya)

  O Universo não teria sido "criado" por Deus, assim como o entendemos na tradição judaico-cristã, entendimento que gera uma relação entre sujeito-objeto, criatura-criador. Nas palavras de Vivekananda, "O nosso termo sânscrito para criação, traduzida apropriadamente, deveria ser projecção e não criação." . O Universo, pelo pensamento Vedanta, foi projectado por Deus, uma "ideia divina" que progressivamente se intensifica até se materializar.

Quanto a Deus, existiriam duas conotações diferentes: o do Princípio Único (Brahman) e o do causador da manifestação dos mundos (o Deus pessoal, gerente dos mundos de Maya, que chama-se Iswara em sânscrito): " Existem duas ideias de Deus nas nossas escrituras [hindus] - uma, pessoal, e a outra, impessoal. A ideia de um Deus Pessoal é que Ele é o criador omnipresente [Iswara], preservador e destruidor de todas as coisas, o Pai e Mãe do universo, mas Alguém que está separado eternamente da gente e de todas as almas; e a libertação consiste em se aproximar Dele e viver Nele. Mas existe outra ideia do [Deus] Impessoal, onde todos os adjectivos são supérfluos [...] O que é Brahman? Ele é eterno, eternamente puro, eterno desperto, Todo-Poderoso, omnisciente, piedoso, omnipresente, sem forma [...] Nos Vedas não utilizamos a palavra "Ele", mas "Isto", pois "Ele" irá fazer uma distinção individual, como se Deus fosse um homem [...] Este sistema é chamado de Advaita. E qual é a nossa relação com este Ser Impessoal? É que nós somos Ele. Nós e Ele somos Um. Cada um é apenas uma manifestação deste Impessoal, o fundamento de todos os seres, e a miséria consiste em pensar na gente como diferente deste Infinito Ser Impessoal; e a libertação consiste em saber da nossa unidade com esta maravilhosa Impessoalidade. Estas são, em resumo, as duas ideias de Deus que encontramos nas nossas escrituras [hindus]. Alguns destaques devem ser feitos aqui. É somente através da ideia de um Deus Impessoal que podemos ter qualquer tipo de ética. Em todas as nações a verdade tem sido dita desde os tempos mais remotos - ame seus semelhantes como a você mesmo - quero dizer, ame os seres humanos como a você mesmo. Na Índia, isto tem sido dito assim, 'ame todos os seres como a você mesmo'; nós não fazemos distinção entre homens e animais [...] vocês compreendem isso quando aprendem que o mundo inteiro é único - a unicidade do universo - a solidariedade de todo o ser vivo - que ao ferir alguém, eu estarei ferindo a mim mesmo, ao amar alguém, eu estou amando a mim mesmo. Então nós entendemos o porquê de não devermos ferir aos outros." (Vivekananda. Vedantism. - trecho traduzido e dizeres entre parênteses introduzidos por Daran).

Que pela lei do Karma nós somos responsáveis pelo nosso destino, pelos nossos sofrimentos. Nós somos o efeito e a causa da nossa situação de vida;

 Possuímos uma alma=Self=Atman que está além da mente, além do ego, acessível através das práticas da contemplação e meditação. Na definição dos Upanishades,o Self "é aquele que conhece o que a mente está pensando mas não é pensado pela mente". O grande objectivo humano seria o de se alcançar a libertação (moksha) em vida, isto é, transcender a ignorância (avidya) e atingir o samadhi ou iluminação,onde a consciência não seria mais dualista (turya). Ou nas palavras de Jesus "Eu e o Pai somos Um".

Entre os mestres admiradores da Advaita Vedanta podemos citar Sathya Sai Baba, Sri Ramakrishna, Sri Nityananda, Swami Sivananda, Swami Rama, Swami Yogananda, Swami Muktananda, Swami Vivekananda e Maharishi Mahesh Yogi, entre outros.